Investidores que não incorporarem estratégias ESG vão sair do mapa, diz BNDES

De Redação Estadão | 10 de dezembro de 2020 | 14:14

A retomada econômica virá da sustentabilidade e investir em questões ESG (ambientais, sociais e de governança) pode ser uma espécie de seguro contra riscos de cauda, isto é, situações imprevisíveis como a pandemia da covid-19. A análise foi feita pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES), Gustavo Montezano, na abertura do evento A Retomada da Economia e o Papel do Mercado de Capitais.

Montezano destacou que empresas com boa governança e foco na avaliação de impacto socioambiental têm “outperformado” (apresentado desempenho acima da média). Falando como gestor e investidor, afirmou que ativos e empresas que incluírem em sua matriz de decisão tais aspectos, até pouco tempo negligenciados, podem abrir mão de parte do lucro financeiro num primeiro momento, mas vão ganhar perenidade ao investir em “seguros” contra eventos de baixa previsibilidade, mas alto impacto.

Na outra ponta, investidores que apostarem em companhias responsáveis têm chances de obterem maior retorno. “Investidores que não incorporarem estratégias ESG provavelmente vão sair do mapa”, profetizou Montezano.

Para o executivo, a tendência é que cada vez mais investimentos hoje separados na caixinha ESG e investimentos tradicionais se tornem uma coisa só.

Ele frisou ainda que depois de vender produtos e experiências, as empresas agora vendem um propósito. “O Estado e o governo têm papel fundamental, mas toda a sociedade, o mercado de capitais e o ecossistema devem atuar como agentes de transformação socioambiental. O mais importante é que todos, e especialmente as elites brasileiras, entendam e enxerguem essa possibilidade”, disse.

Mariana Durão
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