IPCA fraco e cautela fiscal impulsionam dólar, após queda com exterior

De Redação Estadão | 9 de fevereiro de 2021 | 09:51

A alta de 0,25% do IPCA de janeiro, abaixo da mediana esperada pelo mercado (0,30%), conduz ajustes nas apostas de alta da Selic em março e guia os juros de curto e médio prazos para baixo, mas também ajuda na alta do dólar. O indicador reduz apostas de aperto monetário no curto prazo, desestimulando ainda o fluxo de investidores estrangeiros para o País, disse um operador. O risco fiscal do governo também pesa no câmbio, afirma a fonte. Mais cedo, o dólar iniciou a sessão em queda, alinhado à desvalorização persistente no exterior.

A possível criação de imposto para bancar um auxilio emergencial temporário e fora do teto de gastos em meio à pressão política no Congresso pela forte segunda onda da covid-19 no País é pano de fundo da cautela local, afirma Jefferson Rugik, diretor-superintendente da Correparti. O ajuste de alta é limitado pelo dólar mais fraco no exterior, que guiou a abertura local, avalia.

Mais cedo, o índice DXY do dólar, que mede as variações da moeda americana frente a outras seis divisas relevantes, atingiu mínima em uma semana, em meio a expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) irá manter sua política monetária acomodatícia por um período prolongado após o fraco desempenho do mercado de trabalho americano em janeiro. Além disso, os investidores continuam monitorando as negociações do governo Biden com a oposição republicana para lançar um novo pacote fiscal nos EUA em reação à pandemia de covid-19.

No fim da manhã, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, será monitorado em webinar do Observatory Group, às 11h, e poderá falar da inflação e enfatizar os riscos da volta do auxílio, se não for cumprido o teto de gastos. Às 9h39, o dólar à vista tinha alta de 0,13%, a R$ 5,3784. O dólar futuro de março subia 0,16%, a R$ 5,3805.

Silvana Rocha
Estadao Conteudo
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