Iza fala sobre meritocracia e se emociona com pedido de desculpas do pai

De Redação Estadão | 13 de janeiro de 2020 | 12:22

A cantora Iza participou do quadro Arquivo Confidencial, do Domingão do Faustão, neste domingo, 12, e falou sobre racismo, meritocracia e se emocionou com o pedido de perdão do pai. Aos 29 anos, a artista afirmou que a posição na qual se encontra faz o preconceito ser velado, mas que ainda existe.

“Hoje, considero que estou numa situação muito privilegiada (…) por conta da minha profissão. A questão do assédio, do preconceito, a questão do racismo fica velada, não some. As pessoas têm aquele receio de se expressarem da forma como gostariam de se expressar, mas eu sei que isso não acontecer comigo não significa que o racismo acabou”, disse a cantora. “Estamos caminhando, mas tem muita coisa para fazer.”

Em dezembro do ano passado, ao estrear na capa da revista Glamour, Iza contou que sofreu manifestações de preconceito baseado em raça na adolescência. Na época, era a única estudante negra nas escolas particulares de classe média alta que frequentou.

“Minha mãe me ensinou a não ficar calada. Por isso, nunca me paralisei diante do preconceito, mas sei que hoje a visibilidade me poupa de muitos insultos. As pessoas sabem que tenho uma voz potente e pensam muito antes de fazer qualquer coisa”, afirmou.

Neste domingo, a cantora falou que, quando era criança, queria muito poder se ver na televisão. “Hoje, eu já vejo muito mais de mim nos lugares. Eu acho que isso é importante, é a história da representatividade. A gente precisa se ver nos lugares para saber que a gente pode estar onde a gente quer estar.”

Referindo-se novamente à posição privilegiada na qual considera estar, Iza afirmou que fica “muito chateada” quando se fala em meritocracia. “Os caminhos e as oportunidades nunca foram as mesmos. Existe uma lacuna social de oportunidades, de preenchimento de vagas que é muito grande. Então, é até bom deixar um apelo para as pessoas que contratam, que recrutam funcionários para empresas, que vocês olhem para nós, não só para nós, mas para todos, como pessoas capazes de fazer qualquer coisa”, justificou.

Pai

O pai de Iza foi uma das pessoas que homenagearam a cantora no Arquivo Confidencial. Djalma Lima falou sobre como ele e a filha eram próximos e depois sobre o afastamento entre eles após se separar da mãe da artista.

“Na infância da Isabela, nós fomos muito ligados. (Eu) gostava também de ouvir um samba, MPB, e a Isabela se aproximava e ela gostava, pegou o dom musical e começou a me acompanhar nas músicas”, relatou ele.

Após Lima se separar da mãe de Iza, pai e filha ficaram afastados “durante um bom tempo”, segundo contou. “O tempo passou e a única coisa que vem no coração nessa distância, nesse período distante, é sempre pedir desculpa, até mesmo sem ela estar ouvindo, por tudo aquilo que eu possa ter feito, falado ou agido que tenha magoado”, disse.

Lima continuou, elogiando a filha: “a Isabela, hoje, representa o que sempre representou desde o dia 3 de setembro de 1990, desde o dia do seu nascimento: amor, vida. A vida de gratidão por Deus ter me dado uma filha maravilhosa que é hoje. Tenho um orgulho, um prazer, uma satisfação enorme de bater no peito e falar: ‘Isabela é minha filha'”.

Emocionada e chorando, Iza contou que o pai sempre foi a maior referência musical dela e o agradeceu por isso. “Meus pais se separaram na semana que eu decidi largar meu emprego. A situação financeira lá de casa mudou toda. Fiquei uns dois anos sem ver meu pai. Fico muito grata por isso, isso foi um carinho para o meu coração e uma mensagem que eu realmente precisava ouvir”, disse a cantora.

Ludimila Honorato
Estadao Conteudo
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