Jovem pilota belga supera brasileiras e fica com vaga na Academia da Ferrari

De Redação Estadão | 22 de janeiro de 2021 | 18:15

A pilota belga Maya Weug foi a vencedora da seletiva “Girls on Track”, programa promovido pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) que dá vaga a uma jovem pilota na Academia da Ferrari. As adolescentes brasileiras Antonella Bassani e Júlia Ayoub participaram da disputa, mas foram superadas pela europeia. A final contou ainda com a francesa Doriane Pin.

Nascida na Espanha, mas filha de mãe belga e de pai holandês, Maya Weug tem apenas 16 anos e se tornou a primeira mulher a integrar a prestigiada Academia da Ferrari, que já revelou talentos como o de Charles Leclerc, titular do time italiano na Fórmula 1.

Além disso, ela ganhou lugar no grid da Fórmula 4 Italiana neste ano. A categoria é a porta de entrada para os carros de monoposto, um caminho natural para a Fórmula 3, Fórmula 2 e, claro, a sonhada Fórmula 1.

Maya foi escolhida a vencedora da disputa, que contava inicialmente com 20 pilotas, por se destacar nas principais atividades e testes promovidos pelos organizadores desde outubro. As jovens pilotas participaram de workshops, treinos dentro e fora da pista, com simuladores e telemetria. Também fizeram “camping” no tradicional Circuito de Paul Ricard, na França, e puderem ter contato com pilotos consagrados, como o brasileiro Felipe Massa.

A parte final da disputa, envolvendo apenas quatro pilotas, incluindo as duas brasileiras, foi prejudicada duas vezes pela pandemia do novo coronavírus. Inicialmente, estava marcada para novembro, em Maranello, a famosa sede da escuderia Ferrari. Depois foi adiada para dezembro. E acabou sendo realizada somente neste mês de janeiro após uma das pilotas ter testado positivo para a covid-19.

Apesar de ter sido superada na final, a catarinense Antonella Bassani evitou lamentar. “Todo o processo foi incrível, independente do resultado final. Tive experiências únicas ao longo dessas semanas, um aprendizado gigantesco por competir em um nível de exigência tão alto, com uma estrutura tão profissional, interagindo com pilotas de todo o mundo, e por estar em um lugar com tanta história como a casa da Ferrari”, comentou a pilota de apenas 14 anos, a mais jovem entre as finalistas.

“Acho que tenho algumas conquistas a comemorar, era a mais jovem entre as finalistas e nunca tinha andando num F-4 antes, e mesmo assim fui avançando. E vejo que isso me preparou de forma muito intensa para os próximos passos da minha carreira, e me deu uma visão ainda mais clara de tudo que posso alcançar. Vou continuar trabalhando com muita motivação”, disse Antonella, ao Estadão.

O projeto “Girls on Track” é mais uma iniciativa da FIA para tentar popularizar o automobilismo entre as mulheres. Para tanto, a entidade quer a médio prazo contar com mulheres na pista nas principais categorias do automobilismo mundial. Para o trabalho de longo prazo, a meta é dar cada vez mais espaço para jovens garotas em competições de base, como a Fórmula 4.

Felipe Rosa Mendes
Estadao Conteudo
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