Juros exibem viés de alta com desconforto fiscal a despeito de risk-on global

De Redação Estadão | 23 de novembro de 2020 | 09:57

Os juros futuros marcaram máximas com viés de alta, ao longo de toda a curva, depois de uma abertura em leve baixa. O movimento aconteceu mesmo depois de uma alta generalizada nas taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na sexta-feira e de o mercado global, nesta manhã, indicar apetite por risco, com queda do dólar ante emergentes e bolsas em alta com notícias promissoras sobre vacinação contra covid-19. Os DIs estão descolados do comportamento do dólar ante o real, que cai desde a abertura.

Às 9h39, o DI para janeiro de 2022 estava em 3,38% ante 3,365% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2027 estava em 7,78% ante 7,74% no ajuste de sexta-feira.

No segmento de juros, pesa a falta de evidências sobre a gestão dos gastos públicos em linha com as diretrizes declaradas pelo Ministério da Economia. A inclinação da curva de juros futuros na última sessão já mostrava o completo desconforto do mercado com a falta de materialização da agenda reformista, com a perspectiva de uma reedição do auxílio emergencial e com a ausência de uma eficiente articulação política em meio a distrações com outras pautas pela cúpula do Executivo. Na sexta-feira, a inclinação da curva voltou para o nível de fim de setembro: o diferencial entre os vencimentos para janeiro de 2022 e janeiro de 2027 fechou em 440 ponto-base. Na sexta-feira retrasada, era de 412 pontos.

Como escreveu a jornalista e colunista do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) Adriana Fernandes na noite de sexta-feira, 20, a prorrogação do auxílio emergencial por mais alguns meses já está na mesa. O ministro Paulo Guedes dificilmente conseguirá escapar desse caminho. Vai se consolidando uma convergência política para garantir a prorrogação do benefício.

Na sexta-feira, pesaram negativamente no mercado algumas declarações do ministro da Economia. Analistas entenderam que a possibilidade de o governo vender reservas para abater dívida pública, além de retomar a proposta de aumento e criação de impostos, evidencia a incapacidade do governo Bolsonaro em discutir com o Congresso Nacional – e convencer os legisladores – sobre as propostas de reforma do Estado. Por conta disso, há expectativa sobre a participação de Guedes em evento online ainda nesta manhã.

Do Relatório de Mercado Focus, um destaque é mais uma elevação na projeção média para o IPCA: passou de 3,25% para 3,45% em 2020. Como pontuou a área de pesquisa do ModalMais, essa é a 15ª semana que a média para o indicador tem alta. Subiu de 3,22% para 3,40%. O IGP-M para 2020 passou de 21,21% para 22,86%. Na sexta-feira, a FGV divulga o IGP-M de novembro.

Também na agenda do dia, o investidor deve ficar atento à participação às 10h do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, da abertura da 7ª Semana Nacional de Educação Financeira (Semana Enef). O diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, Maurício Moura, também participa do evento como palestrante. Também às 10h o diretor de Regulação do BC, Otavio Damaso, e a diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do órgão, Fernanda Nechio, participam de webinar da FGV EAESP/Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais.

Karla Spotorno
Estadao Conteudo
Copyright © 2020 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.