Juros fecham com viés de baixa com aposta de que deputados manterão veto

De Redação Estadão | 20 de agosto de 2020 | 17:54

Os juros futuros fecharam a quinta-feira, 20, com taxas curtas perto da estabilidade e as demais, com viés de baixa. Após uma manhã de forte pressão de alta, o otimismo sobre a manutenção do veto ao reajuste a algumas categorias de servidores até o fim de 2021, pelos deputados, cresceu à tarde, trazendo alívio à curva. O mercado foi ganhando confiança ao perceber a movimentação em Brasília e o esforço de parlamentares para resgatar o veto, com destaque para a declaração do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que líderes e aliados estariam trabalhando nesse sentido.

Desse modo, as taxas reduziram significativamente a alta, à espera de um resultado desta vez favorável ao governo na sessão do Congresso desta quinta-feira, o que amenizaria o impacto da derrota de quarta-feira no Senado. A aprovação do reajuste tem impacto estimado em R$ 120 bilhões nos cofres públicos. Pela manhã, as taxas longas chegaram a subir mais de 30 pontos em reação à decisão dos senadores.

O volume de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados foi expressivo, com o giro acima da média nos principais vencimentos. O mais líquido nesta quinta foi DI para janeiro de 2021 (748.300), que fechou com taxa de 1,935%, ante 1,910% no ajuste anterior.

O DI para janeiro de 2022 encerrou com taxa de 2,79%, de 2,783% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 3,99%, de 4,004% na quarta. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 5,80% (mínima), ante 5,834% na quarta, e a do DI para janeiro de 2027 terminou em 6,82% (mínima), de 6,853%.

“As taxas subiram muito e agora há, pelas declarações de Maia, essa esperança de que vai se reverter a decisão do Senado, apoiando a agenda de austeridade fiscal”, afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno. A sessão estava marcada para começar as 15 horas, mas atrasou em função de negociação de bastidores, com início efetivo perto das 16 horas, ou seja, na reta final da sessão regular do mercado de juros.

A reação negativa ao Senado começou na quarta mesmo na sessão estendida, quando as taxas ampliaram o avanço já visto na sessão regular. Ao longo da manhã desta quinta, o estresse ganhou força, atingindo principalmente a ponta longa, que melhor capta a percepção de risco fiscal dos investidores. Nesse ambiente mais hostil, o Tesouro reduziu os lotes de prefixados do leilão, ofertando 8,5 milhões de LTN e 100 mil NTN-F, vendidos integralmente. Na semana passada, a oferta era de 38,5 milhões de LTN e 300 mil NTN-F.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou a derrubada do veto como um “crime” contra o País, enquanto Bolsonaro disse ser “impossível” governar se a Câmara mantiver a decisão do Senado. Uma das maiores pressões para a derrubada vem da chamada bancada da bala, que conta com 306 deputados. “O veto retira a contagem do tempo de serviço por 19 meses para os profissionais de saúde e de segurança pública que estão na linha frente no combate à pandemia”, afirmou deputado Coronel Tadeu (PSL-SP).

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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