Juros fecham em alta com risco fiscal estimulando realização de lucros nas taxas

De Redação Estadão | 6 de outubro de 2020 | 18:08

Os juros futuro fecharam a terça-feira em alta. O alívio da curva, em meio à aparente pacificação entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), durou somente até o começo da tarde, quando então as taxas inverteram a queda e passaram a segunda etapa com avanço de mais de 15 pontos-base nos principais contratos. Um conjunto de sinais vindo de Brasília desencadeou um movimento de realização de lucros que recolocou na curva boa parte dos prêmios queimados ontem. Entre eles, um possível adiamento da definição sobre o programa Renda Brasil para depois das eleições municipais por decisão do presidente Jair Bolsonaro. Para piorar, a poucos minutos do fim da sessão regular, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não somente rejeitou a proposta dos democratas em relação ao pacote fiscal como também instruiu os republicanos a pararem de negociar até a eleição presidencial de 3 de novembro.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,35%, de 3,234% ontem no ajuste e a do DI para janeiro de 2023 encerrou em 4,82%, de 4,675% ontem. A do DI para janeiro de 2025 fechou em 6,66%, de 6,514% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 7,55%, ante 7,444% ontem no ajuste.

“O mercado se excedeu no otimismo com Maia e Guedes fazendo as pazes e achou que tudo tinha voltado ao normal. Mas a verdade é que o Tesouro continua precisando tomar um caminhão de dinheiro nos leilões”, disse um gestor para quem atualmente os juros são o pior ativo para investir. “O dólar sofre menos porque é crescente a ideia de que o BC vai ter de voltar a subir a Selic no curto prazo”, completou.

Um dos motivos para o mercado “voltar à realidade” à tarde teria sido a notícia, divulgada pelo colunista da GloboNews Valdo Cruz, de que Bolsonaro teria dito a interlocutores que avalia deixar a definição sobre o financiamento para o Renda Cidadã para depois das eleições municipais. Com isso, segundo o colunista, o presidente evitaria gerar notícias negativas para seus candidatos e aliados no pleito.

De maneira geral, o mundo da política trouxe hoje várias notícias que reforçaram a percepção de que pouca coisa deve andar em termos da pauta fiscal e de reformas nas próximas semanas, contribuindo para a redução das posições vendidas. A começar pelo adiamento da entrega do relatório sobre o Renda Cidadã, prevista para amanhã. O senador Márcio Bittar (MDB-AC) afirmou que a proposta deve ser entregue apenas na semana que vem. Além disso, a análise de vetos do presidente no Congresso ficou para o dia 4 de novembro, entre eles o da desoneração da folha salarial e do novo marco do saneamento básico. Por fim, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), cancelou pela segunda vez a instalação da Comissão Mista de Orçamento (CMO), marcada para hoje.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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