Juros fecham em baixa com apostas de alívio monetário no Brasil e nos EUA

De Redação Estadão | 3 de junho de 2019 | 15:50

O mercado de juros começou junho com taxas em queda, mais pronunciada na ponta longa da curva, nesta segunda-feira, 3, refletindo bastante o cenário internacional. As taxas já recuavam desde manhã, ampliando o recuo e renovando mínimas à tarde, após um dirigente do Federal Reserve (Fed) – James Bullard (St. Louis) – sinalizar que os juros norte-americanos podem ser reduzidos no curto prazo. Internamente, a agenda de indicadores foi fraca e o mercado manteve as atenções em Brasília, com grande expectativa em relação à votação da Medida Provisória (MP) 871, de combate a fraudes no INSS, no Senado.

Na ponta curta, as taxas chegaram a reduzir o ímpeto de queda e bateram máximas pontuais pouco antes do fechamento da etapa regular, na esteira de declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. De todo modo, a crescente perspectiva de queda da Selic já leva a curva a termo a precificar 100% de chance de corte no fim de 2019, sendo majoritária a aposta de queda de 0,50 ponto porcentual no atual nível de 6,50%.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI)para janeiro de 2020 bateu máxima de 6,280% pouco antes do fechamento, mas voltou um pouco para terminar em 6,265%, de 6,279% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2021 recuou de 6,490% para 6,440%. A do DI para janeiro de 2025 já fechou a jornada regular abaixo da marca de 8%, em 7,99%, de 8,161% no ajuste de sexta-feira. A do DI para janeiro de 2023 ficou em 7,41%, de 7,561% no ajuste anterior.

“As declarações de Bullard sobre queda de juros acentuaram a queda do dólar no mercado internacional e isso está favorecendo o fechamento maior da curva”, afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, afirmando que, ao mesmo tempo, o mercado manteve um olho em Brasília. “Tem também a questão do governo formar quórum para votar a MP do pente fino do INSS”, afirmou.

A aprovação da MP pode gerar economia aos cofres públicos de R$ 9,8 bilhões apenas no primeiro ano de vigência, segundo o governo, o que seria de grande ajuda nos atuais tempos de aperto fiscal. A demora em formar quórum no plenário do Senado para a votação trouxe um pouco de apreensão durante a tarde no mercado, mas por volta das 17 horas a Casa já tinha 42 senadores, um a mais do que o mínimo para abrir a votação, o que levou as taxas longas a bater novas mínimas na etapa estendida.

No Brasil, a aposta num afrouxamento da Selic em função da grande abertura do hiato do produto vai ganhando força, mesmo tendo o Banco Central dado sinais de que resiste à ideia. O presidente Campos Neto já disse várias vezes recentemente que a política monetária pode ajudar o crescimento ao manter a inflação baixa e nesta segunda voltou a sinalizar pouca disposição para reduzir o juro. Em evento em São Paulo, ele indicou que os canais de transmissão dos efeitos da Selic a 6,5% não estão apropriados em função de problemas da microeconomia.