Juros fecham em queda com alívio no exterior e revisões para inflação brasileira

De Redação Estadão | 18 de maio de 2020 | 18:02

O bom humor no exterior levou à devolução de prêmios da curva de juros doméstica nesta segunda-feira, 18. A chance de uma vacina para a covid-19 e a sinalização do uso de munição adicional pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, turbinaram a busca por risco, ajudando o apetite a ativos brasileiros. Os sinais da permanência no cargo do ministro da Economia, Paulo Guedes, o dólar em queda e a percepção de que a inflação deste ano será ainda menor do que o esperado também alimentam a diminuição da taxa em todos os vértices.

Ao término do pregão regular, o contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2021 tinha taxa de 2,535%, ante 2,558% no ajuste de sexta-feira. O janeiro 2022 foi de 3,511% para 3,420%. O janeiro 2023 passou de 4,723% para 4,580%. E o janeiro 2027 recuou de 7,823% para 7,670%.

Importante ressaltar que a liquidez em toda a curva ficou baixa na sessão. O janeiro 2022, mais transacionado nos últimos pregões, movimentou quase 109 mil contratos na sessão regular. Na segunda-feira passada, por exemplo, foram 173 mil.

O ânimo no exterior veio desde ontem à noite, quando Jerome Powell afirmou que a autoridade ainda tem munição para conter a crise e destacou que a economia do país vai se recuperar no médio prazo.

Hoje de manhã, a esperança de uma vacina contra a covid-19, que vitimou mais de 316 mil pessoas no mundo, deu o fôlego adicional. A farmacêutica americana Moderna anunciou que, em testes preliminares, uma imunização contra o novo coronavírus teve resultado positivo. Os resultados são baseados na reação das oito primeiras pessoas que receberam, cada uma, duas doses da vacina, a partir de março.

No noticiário doméstico, a tensão política foi diluída pela percepção de permanência de Paulo Guedes no Ministério da Economia.

O bom humor com ativos de risco e a queda forte do dólar deram espaço a que prevalecesse no mercado de juros os fundamentos. A tendência de inflação baixa foi reforçada no relatório de mercado Focus e em análises de instituições.

A projeção do IPCA para 2020 no Focus passou de 1,76% para 1,59%, enquanto o de 2021 foi de 3,25% para 3,20%. Entre os bancos, o BTG Pactual projeta agora que o índice atinja 1,8% este ano (de 2,3% anteriormente) e o Santander Brasil estima em 1,4% (de 2,2%).

r Mateus Fagundes
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