Juros fecham em queda com IPCA-15 abaixo das previsões e apostas na Selic

De Redação Estadão | 24 de julho de 2020 | 17:50

Os juros futuros terminaram em queda nesta sexta-feira, 23, diante do IPCA-15 de julho abaixo do piso das estimativas. O índice teve impacto em vários vértices, com destaque para os do miolo que foram os que mais caíram, enquanto o vencimento para janeiro de 2021 foi para baixo dos 2% pela primeira vez. Houve ainda efeito importante no quadro das expectativas para a Selic no Copom de agosto. As apostas de corte de 0,25 ponto porcentual, ontem levemente minoritárias (45% de probabilidade), hoje saltaram para 70% na precificação dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). Embora não seja consenso, alguns players afirmam que declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, em evento pela manhã, contribuíram para essa mudança no cenário e para o alívio nas taxas.

As taxas até os vértices intermediários renovaram mínimas históricas, amparadas em forte volume de contratos. A do de DI para janeiro de 2021, que melhor capta as apostas para a política monetária nas reuniões do Copom em 2020, fechou a 1,950%, de 2,029% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2022 também renovou piso histórico, a 2,82%, de 2,972% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2023 encerrou com taxa na mínima histórica de 3,85%, de 4,073% ontem no ajuste. Nos longos, a do DI para janeiro de 2027 caiu de 6,433% para 6,33%.

O IPCA-15 de julho subiu 0,30%, enquanto a previsão mais baixa da pesquisa do Projeções Broadcast era de 0,31%. Em junho, a taxa foi de 0,02%. Os economistas Fabio Ramos e Tony Volpon, do UBS Brasil, lembram que a média móvel de três meses do IPCA-15, com ajustes sazonais, continua abaixo de zero, distantes das metas de inflação de 4% em 2020 e 3,75% em 2021. “Os núcleos estão em 2% em termos anuais e a desinflação de serviços continua. O cenário de inflação parece favorável para que o BC promova um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic na próxima reunião do Copom”, afirmam.

Nos cálculos Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Haitong, a precificação de queda da Selic em agosto na curva subiu de 10 para 17 pontos-base entre ontem e hoje, apontando 70% de chance de corte de 0,25 ponto, contra 30% de probabilidade de manutenção. Ontem, eram 45% contra 55%, respectivamente. O recuo expressivo, de mais de 20 pontos-base no caso do DI para janeiro de 2023, nas taxas de médio prazo chamou a atenção e Serrano explica que a inflação baixa reduz as chances de o Banco Central subir a Selic mais rápido.

Esse efeito maior na também chamada “barriga” da curva pode estar relacionado à leitura que parte do mercado fez da participação de Bruno Serra em evento virtual da XP Investimentos, na avaliação de um gestor de renda fixa. “Ele ressaltou que o BC está muito tranquilo com inflação nos próximos seis meses. Talvez o mercado tenha lido isso como um sinal de que a Selic vai ficar baixa por bastante tempo”, afirmou.

Ao iniciar sua apresentação, Serra ressaltou que o objetivo da fala no evento não era passar mensagens de política monetária diferentes das que já estão nos comunicados do BC, mas, de todo modo, o mercado fez seus ajustes. Ele destacou a importância de se entender tamanho do hiato do produto para as próximas decisões sobre a Selic e que a discrepância entre a recuperação dos diversos setores da economia será importante para a projeção da inflação no horizonte para 2021. “Não estamos muito preocupados com inflação para 3 a 6 meses”, afirmou.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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