Juros fecham em queda firme com vitória do governo em eleição do Congresso

De Redação Estadão | 2 de fevereiro de 2021 | 19:00

Os juros estiveram em queda durante toda a sessão, e de maneira mais firme nos vencimentos a partir de 2025, configurando nova redução de inclinação da curva a termo. A vitória do presidente da República, Jair Bolsonaro, na disputa das eleições na Câmara e Senado vinha sendo precificada há alguns dias, mas mesmo assim o mercado renovou o alívio de prêmios em função do placar muito confortável nos dois casos, que serve de proxy para medir o apoio ao governo para votações importantes, como em Propostas de Emenda à Constituição (PECs). O exterior favorável também deu sua ajuda, além do êxito do Tesouro em conseguir colocar um lote grande de NTN-B de longo prazo, reforçando a percepção e otimismo com o Brasil.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou a sessão regular e a estendida em 3,33% (3,351% no ajuste anterior) e a do DI para janeiro de 2027 recuou de 6,994% para 6,89% (regular) e 6,88% (estendida). O DI para janeiro de 2023 encerrou com taxa de 4,815% (regular e estendida), de 4,896% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 terminou em 6,22% (regular e estendida), de 6,335%.

Na avaliação do estrategista da Tullett Prebon Vinicius Alves, mais até do que a eleição em si, o mercado de juros refletiu o placar elástico das votações, que sugere menor dificuldade para aprovação das matérias de interesse do governo no Congresso.

“O mercado já vinha antecipando o resultado e hoje a curva reflete a votação expressiva”, disse ele.

O senador Rodrigo Pacheco (MDB-MG) foi eleito com 57 votos, quase dez votos acima dos 49 necessários, por exemplo, para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O deputado Arthur Lira (PP-AL) se elegeu com 302 votos – na Câmara é preciso ter 308 votos para se aprovar uma PEC.

Danilo Alencar, trader de renda fixa da Sicredi Asset, diz que a curva tinha até mais espaço para fechar em função da grande abertura vista em janeiro, segundo ele, de mais de 100 pontos-base. “Na teoria a agenda de reformas tende a andar e temos um alinhamento de Lira com a pauta do equilíbrio fiscal. Vamos esperar para ver o que será entregue”, afirmou.

No aspecto técnico do mercado nesta terça, o resultado do leilão de NTN-B foi considerado mais um sinal de otimismo com o Brasil.

O Tesouro vendeu 1,350 milhão de títulos, bem menos do que os 1.985.200 da semana passada, mas com a diferença de que desta vez colocou um lote grande, de 750 mil, no vencimento mais longo (2055). No leilão da semana passada, conseguiu colocar apenas 26,5 mil no vencimento longo (2040).

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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