Juros fecham em queda firme e curva desinclina, com mercado de olho nos EUA

De Redação Estadão | 4 de novembro de 2020 | 18:38

Os juros futuros fecharam a sessão em queda firme, embarcando junto com os demais ativos, no apetite ao risco a partir do exterior, com o mercado acompanhando atentamente o avanço da apuração dos votos para presidente dos Estados Unidos. Ainda que a onda azul não tenha se confirmado, o democrata Joe Biden está liderança e levando delegados em estados que são decisivos para o resultado final. Já na composição do Congresso, a configuração atual deve ser mantida, com maioria republicana no Senado e democrata na Câmara, o que é visto como positivo do ponto de vista de equilíbrio das forças políticas. Com isso, as taxas futuras devolveram quase toda a alta de ontem. O risco de judicialização da disputa foi relevado, assim como o noticiário local, mesmo com avanço de algumas pautas em Brasília, e a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) ficaram em segundo plano.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 terminou em 3,46% (3,536% ontem no ajuste) e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 5,196% para 5,06%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 6,75% (6,925% ontem no ajuste) e a do o DI para janeiro de 2027 recuou a 7,54%, de 7,694%.

Até ontem à noite, a apuração apontava disputa muito acirrada entre Biden e Trump, mas hoje o dia amanheceu já com Biden se distanciando, ainda que em nenhum momento tenha se confirmado a larga vantagem apresentada nas pesquisas eleitorais. A queda das taxas ganhou força no início da tarde, na medida em que foi se desenhando o avanço democrata em Michigan e Wisconsin, dois Estados do Meio-Oeste, região que deu a Donald Trump a vitória em 2016.

“Vai ser no voto a voto. O que dá grande alívio aos ativos hoje é a questão do Congresso”, disse o estrategista de Mercados da Harrison Investimentos, Renan Sujii, explicando que numa configuração de Senado democrata Biden não enfrentaria nenhuma resistência em aprovar qualquer matéria, pois terá também maioria na Câmara. “As pautas democratas são negativas do ponto de vista do mercado corporativo, pois são historicamente contrários à redução de impostos. Com uma combinação de vitória de Biden com Senado republicano teríamos maior moderação”, disse Sujii. O estrategista diz, porém, que os próximos dias tendem a ser de turbulência e volatilidade, com o risco de judicialização se materializando. A campanha de Trump já confirmou que pedirá recontagem de votos no Wisconsin e suspensão de contagem em Michigan.

Internamente, a aprovação do projeto de autonomia do Banco Central pelo Senado ontem foi bem recebida, dada a avaliação de que representa um avanço institucional importante contra eventuais tentativas de ingerências políticas sobre a instituição. O projeto prevê mandato de quatro anos para os dirigentes e quarentena para ex-diretores. “É uma notícia positiva do ponto de vista estrutural, de melhora no ambiente, mas pouco faz preço no dia a dia”, disse Sujii.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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