Juros longos fecham em queda com bom humor no exterior; curtos têm viés de alta

De Redação Estadão | 6 de julho de 2020 | 17:54

Os juros fecharam em queda nos contratos de longo prazo nesta segunda-feira, 6, enquanto a ponta curta terminou perto da estabilidade, mas com viés de alta. A despeito da virada do dólar para cima no começo da tarde, as taxas longas continuaram se beneficiando do aumento do apetite ao risco no exterior, que também embalou os mercados de ações, e da melhora do sentimento em relação ao crescimento da economia e às reformas.

Ainda que a agenda e noticiário no dia tenham sido fracos, o quadro de apostas para a Selic agosto nesta segunda-feira “andou” um pouco, com as expectativas para manutenção da taxa básica em agosto agora já claramente majoritárias. Tudo isso, porém, se deu num ambiente de liquidez ainda fraca.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 2,882% para 2,90% e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 5,553% para 5,52% (mínima). O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa na mínima de 6,38%, de 6,443% no ajuste anterior.

“Os juros curtos oscilaram entre margens estreitas com o afunilamento das apostas para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), enquanto os médios e longos estão mais ligados ao quadro internacional, com o ambiente lá fora com maior apetite pelo risco ajudando a fechar”, afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa.

O bom humor no exterior foi definido logo cedo com um rali das bolsas na Ásia, sustentado pelos sinais de recuperação da economia da China, firmando-se depois com dados favoráveis da economia norte-americana.

Esse quadro prevaleceu ante novos números negativos sobre a expansão da covid-19 pelos Estados Unidos e informações de retrocesso nas fases de reabertura das economias.

“Os mercados financeiros continuarão ignorando os aumentos nos casos de coronavírus em mais de 30 estados até que os números de mortalidade nos EUA aumentem”, disse Edward Moya, analista de mercado financeiro da Oanda em Nova York.

No Brasil, os recentes dados de atividade têm sugerido que o pior impacto da covid-19 na economia já passou, o que pode pesar contra um novo corte da Selic, ainda mais com a inflação dando sinais de normalização.

Segundo o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, a precificação para a taxa básica no Copom de agosto era de apenas -9 pontos-base esta tarde, apontando 64% de chance de manutenção e 36% de probabilidade de corte de 0,25 ponto porcentual. Na pesquisa Focus desta segunda-feira, porém, a mediana das estimativas para a Selic é de 2% no fim deste ano, ou seja, redução de mais 0,25 ponto no atual nível de 2,25%.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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