Juros longos sobem, curva ganha inclinação com piora da percepção de risco fiscal

De Redação Estadão | 8 de fevereiro de 2021 | 18:40

Os juros futuros começaram a semana recompondo um pouco da inclinação perdida nos últimos dias. Os curtos fecharam em baixa e os demais, em alta. As taxas até iniciaram a sessão vespertina ensaiando queda mais firme em todos os vencimentos, alinhadas à abertura positiva dos mercados americanos, mas logo retornaram para perto dos ajustes e, no fim da tarde, boa parte engatou alta. A piora se deu após o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), defender uma “solução” ainda esta semana para o auxilio emergencial, mesmo sem vinculá-lo às Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que estão no Congresso – como defende o Executivo -, em função da urgência da pandemia.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 encerrou em 6,38% (regular e estendida), de 6,315% no ajuste de sexta-feira. A do DI para janeiro de 2027 fechou a etapa regular em 7,03% e a estendida em 7,04%, de 6,984% no ajuste anterior. Nos curtos, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 3,395% (estendida) e 3,41% (regular), de 3,427% no último ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 4,987% para 4,945% (regular e estendida).

De maneira geral, a segunda-feira foi de movimentação limitada na curva, refletindo a expectativa por uma série de indicadores e eventos que a semana reserva, entre eles o IPCA amanhã e possíveis avanços na pauta de reformas no Congresso. Já no exterior seguem sendo monitoradas as negociações para o pacote fiscal americano. “O cenário é de muita indefinição e a curva corrige um pouco do achatamento da semana passada. Há expectativa com o pacote nos EUA e aqui, com a política. O real sobe, mas ainda está em nível muito baixo em relação ao pares”, resumiu o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira.

No fim da tarde, a fala de Pacheco foi o gatilho para tirar o mercado de cima do muro. O presidente do Senado afirmou que, neste momento, o socorro assistencial é “urgente” e que confia em um acordo com o governo e na “ligeireza” da pasta de Paulo Guedes para viabilizar uma solução para o auxílio emergencial. “Precisamos destravar pauta econômica, mas a necessidade emergencial não pode esperar”, disse.

No raciocínio dos players, qualquer decisão tomada às pressas eleva a chance de concessão do benefício sem contrapartida que preserve o teto, e a engenharia não é simples, mesmo com uma possível “linha de corte” ou valores menores do que os que foram pagos em 2020.

A possibilidade da concessão do auxílio já estava no radar desde o começo do dia, depois de o presidente Jair Bolsonaro admitir que novas parcelas estavam sendo discutidas, mas, sem nada mais concreto, o mercado contemporizou com os sinais de que o projeto de autonomia do Banco Central – pauta também cara ao mercado – está avançando. O relatório deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) foi endossado pela equipe econômica e pode ser votado na Câmara ainda esta semana.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
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