Juros: taxas abrem em baixa com dólar, que amplia queda após notícia sobre vacina

De Redação Estadão | 16 de novembro de 2020 | 09:41

Os juros futuros abriram em baixa ao longo de toda a curva. A queda é levemente mais intensa nos contratos mais longos, evidenciando a continuidade da desinclinação observada nos últimos dias. A queda do dólar ante o real em meio ao bom humor externo é fator importante para essa dinâmica. No exterior, o dólar passou a cair mais e os mercados acionários ampliaram os ganhos nos últimos minutos com a notícia de que a farmacêutica Moderna anunciou que vacina experimental para covid-19 apresentou eficácia de 94,5% na fase 3.

Às 9h08 desta segunda-feira, o DI para janeiro de 2022 marcava mínima a 3,290% ante 3,345% no ajuste de sexta-feira. DI para janeiro de 2023 marcava mínima a 4,86% ante 4,94% no ajuste de sexta-feira. DI para janeiro de 2025 marcava mínima a 6,60% ante 6,70% no ajuste de sexta-feira. DI para janeiro de 2027 marcava mínima a 7,34% ante 7,46% no ajuste de sexta-feira. O IGP-10 de novembro (3,51%) acima da mediana das projeções (3,33%) não faz preço, ainda que a transmissão para o varejo dos preços no atacado estejam sendo monitorados de perto pelo mercado.

Nesta manhã, os agentes também vão monitorar entrevista à imprensa do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O tema da coletiva é o PIX, mas o mercado tem expectativa de alguma menção a dados de inflação, risco fiscal, além do novo programa de microcrédito que o governo pretende lançar após o fim do auxílio emergencial.

Do Relatório de Mercado Focus, os destaques são o avanço da média das projeções para o IPCA de 2020, que passou de 3,20% para 3,25%. No caso de 2021, houve avanço de 3,17% para 3,22%. Não houve alteração nas estimativas para Selic: para o fim de 2020, permaneceu em 2% ao ano, e para o fim de 2021, foi mantida em 2,75% ao ano.

Ainda que o presidente Jair Bolsonaro, enquanto cabo eleitoral, tenha saído derrotado das urnas no domingo, a base no Congresso formada pelo chamado Centrão saiu mais forte do primeiro turno das eleições municipais. A agenda do ministro Paulo Guedes, assim como a votação da proposta de orçamento para 2021, dependem do apoio dos congressistas para ser finalmente discutida e aprovada no Legislativo. O andamento dos projetos, contudo, é esperado somente para depois do segundo turno.

Karla Spotorno
Estadao Conteudo
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