Kajuru usa assessor para cuidar de canal no YouTube que dá lucro

De Redação Estadão | 16 de julho de 2020 | 07:41

Senador de primeiro mandato, Jorge Kajuru (Cidadania-GO) usa assessores pagos pela Casa para gerir um canal no YouTube que já rendeu um total de R$ 48.339,72 ao parlamentar desde 2019. A prática, porém, é questionada por especialistas e pelo Ministério Público no Tribunal de Contas da União (TCU).

Conforme o Estadão revelou no domingo, sete deputados federais transformaram a divulgação da atividade parlamentar no Congresso em um negócio lucrativo no YouTube. Eles usam empresas contratadas com dinheiro da cota parlamentar e assessores para cuidar de canais no YouTube – a plataforma lhes paga por audiência.

Kajuru não usa recursos da cota parlamentar na gestão dos canais, mas admitiu que assessores do seu gabinete, pagos pela Casa, produzem vídeos para as redes sociais e para o YouTube. Kajuru tem 273 mil seguidores inscritos em seu canal.

“Desde que eu nunca use um centavo da cota parlamentar, não vejo nada de imoral na manutenção da parceria que tenho há mais de 10 anos com o YouTube”, afirmou o senador. “Fiz antes de ser eleito e seguirei fazendo assim que encerrar meu mandato, em 2026.”

A monetização dos canais, com pagamento de acordo com as visualizações dos vídeos em troca da veiculação de anúncios do YouTube, só é feita para quem se inscreveu no programa de parceiros do site, conforme as regras da plataforma. Ou seja, se não houve solicitação, não há inserção de anúncios nem arrecadação de recursos.

Kajuru afirmou que desde que a monetização começou no canal, em 2017, o dinheiro arrecadado no YouTube é usado para pagar funcionários, doações a instituições e na compra de equipamentos. “Primeiro, eu não pago empresa. Segundo, o trabalho de divulgação das redes sociais é uma das várias tarefas exercidas por minha assessoria. Não tenho assessor exclusivo para redes sociais.”

O subprocurador-geral do Ministério Público no TCU Lucas Rocha Furtado ingressou com uma representação para investigar a prática. Segundo ele, no caso dos deputados federais, “a finalidade concreta de parte dos recursos públicos da verba de gabinete está sendo utilizada para interesse pessoal dos parlamentares, especialmente, provendo renda extra em seus patrimônios pessoais, indo de encontro ao interesse público que deve ser o fim primordial a ser atingido com todas despesas públicas a ensejar, possível, conflito de interesse”.

Outros

Filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) também monetiza vídeos no YouTube. A gestão do canal é feita desde 2018 pela empresa MK, cujo dono é o senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ), aliado do Planalto. Flávio não respondeu se usa verba pública para contratar a empresa. Nas notas fiscais apresentadas por ele ao Senado não há pedido de reembolso para essa empresa pela cota parlamentar. A MK afirmou que é responsável pela “gestão tecnológica” de canais no YoutTube e que não produz conteúdo para publicação. A empresa não comentou sobre a página de Flávio.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Fake News, em funcionamento no Congresso, identificou 2 milhões de anúncios publicitários do governo federal em canais que apresentam “conteúdo inadequado”. Um deles foi o canal de Flávio Bolsonaro, que teria veiculado os anúncios e ao mesmo tempo lucrado com a monetização na plataforma.

Arolde de Oliveira negou que use a estrutura do Senado ou cota parlamentar para produzir o conteúdo que posta no YouTube. “A conta é operada somente por mim de forma orgânica.” O senador afirmou que pediu monetização para seu canal a partir de 18 de setembro de 2019, tendo recebido US$ 78,93 desde que iniciou a operação.

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) também remunera seus vídeos. Segundo ele, 14 deles foram publicados em seu canal a partir de 2019, o que lhe rendeu uma receita de US$ 12,68. O senador afirmou que administra sua conta no YouTube e nunca utilizou recursos da cota parlamentar ou dinheiro público para pagar serviços relacionados ao canal. Também com registros de monetização no YouTube, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) não respondeu à reportagem.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Daniel Weterman
Estadao Conteudo
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