Marquinhos fala em esquecer favoritismo, exalta Neymar e celebra volta a Itaquera

De Redação Estadão | 5 de outubro de 2020 | 15:47

Escolhido para conceder a primeira entrevista coletiva da seleção brasileira antes da estreia nas Eliminatórias Sul-Americanas na próxima sexta-feira, contra a Bolívia, às 21h30, Marquinhos falou sobre a sua evolução como jogador, destacou o momento positivo de Neymar, comentou o possível favoritismo da equipe e celebrou o retorno a Itaquera. O jogo será disputado na Neo Química Arena, casa do Corinthians, clube onde foi formado o zagueiro, hoje no Paris Saint-Germain.

Marquinhos comemorou o fato de poder atuar em Itaquera, na zona leste de São Paulo, bairro onde passou boa parte de sua vida. O defensor também comentou a adaptação aos protocolos sanitários contra o coronavírus e lamentou a ausência de torcida no estádio.

“Realmente é um lugar muito especial para mim. Passei dez anos da minha vida em Itaquera. Morei cinco anos no alojamento da base. Fico feliz de estar voltando, mesmo em circunstâncias difíceis, sem torcedores”, disse Marquinho. Queríamos muito ter a nossa torcida, que é sempre um diferencial muito grande, mas a gente tem que saber jogar seguindo o novo protocolo e a nova maneira de atuar até que as coisas melhorem e possamos receber de novo todos a festa dos torcedores”, lamentou.

Marquinhos foi um dos jogadores do elenco do PSG contaminados pela covid-19. Ele contraiu a doença no início de setembro, ficou isolado por alguns dias e não teve sintomas graves. O jogador relembrou o episódio.

“É um momento diferente e ao mesmo tempo especial para nós. A gente está tendo a oportunidade de voltar e atuar nesse contexto. Fui contaminado, eu e muitas pessoas da minha família, minha mulher. Acabei não fazendo os testes nos meus filhos, mas eles apresentaram alguns sintomas. Fiquei dez dias em casa, sem poder treinar, sem ir aos jogos. Acabei perdendo dois jogos do PSG, mas graças a Deus nada muito grave. Sabemos o quanto essa doença afeta as pessoas, mas no meu caso nada grave, nem nas pessoas da minha família. Tive sintomas como resfriado, dor de cabeça, dor no olho. Acabei perdendo olfato e paladar, mas nada grave”, recordou.

Neymar, seu companheiro de PSG, também foi assunto na coletiva. Marquinhos enalteceu o momento do atacante, que, em sua visão, vive uma “fase extraordinária” e foi muito importante para conduzir o time francês à final da Liga dos Campeões na temporada passada. A avaliação é de que o camisa 10 está mais maduro e vem evoluindo progressivamente.

“Ele vem em um momento extraordinário na carreira. Fez jogos extraordinários na final da Liga das Campeões e ajudou o nosso time. Nos primeiros jogos do Campeonato Francês ele vem atuando muito bem também e conseguiu manter o nível de jogo que teve nas finais. É importante que ele esteja assim. Bem, feliz, realmente vem cada vez mais crescendo, evoluindo. Esse momento na seleção só vem dar mais motivação para ele, que é muito ambicioso, competitivo e quer sempre vencer”, pontuou.

O jogador se considera mais maduro hoje e também mais versátil, já que, além da zaga, atua como volante no time parisiense. Ele encarou com naturalidade a mudança de posição e virou um dos líderes da equipe do técnico Thomas Tuchel e também uma das referências da seleção brasileira.

“Venho há alguns anos fazendo balanço de uma posição e outra. No início pode ser que me incomodasse um pouco. Nas finais da Champions League atuei assim. No início do Campeonato Francês, atuei mais como zagueiro. É algo cada vez mais normal nas minhas atuações. Tento me adaptar o mais rápido possível e não perder essas funções que cada posição tem. Hoje já estou muito bem acostumado”, salienta.

Atual campeão da Copa América, o time do técnico Tite aparece, como de costume, como um dos favoritos a brigar pelos primeiros lugares nas Eliminatórias. Marquinhos assegurou que não está preocupado com o favoritismo. A ideia é ter pé no chão e conquistar os torcedores com boas atuações.

“Tudo depende do que a gente faz dentro de campo. A seleção brasileira tem história e respeito. A gente não está muito preocupado como o favoritismo porque não ganha jogo, campeonato. A gente tem que deixar de lado o favoritismo e todo o respeito que as pessoas têm pela camisa da seleção brasileira. Temos que dar a resposta dentro de campo e é isso que vai fazer as pessoas falarem em favoritismo ou não”, analisou.

Ricardo Magatti, especial para a AE
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