Mesmo os favoritos têm oponentes à altura

De Redação Estadão | 9 de fevereiro de 2020 | 08:20

As categorias de melhor ator e atriz parecem as de previsão mais fácil. De fato, quem poderia derrotar Joaquin Phoenix em Coringa e Renée Zellweger em Judy – Muito Além do Arco-Íris? São ambos cotadíssimos e devem levar suas estatuetas para casa. Tal favoritismo não deve nos fazer esquecer que, mesmo nessas categorias, existem concorrentes pelo menos tão bons quanto os virtuais vencedores. Apenas para citar dois deles: Antonio Banderas, alter ego de Pedro Almodóvar no maravilhoso Dor e Glória, e Scarlett Johansson, em papel tão diferente do seu usual em História de um Casamento.

Brad Pitt é dado como já vencedor por Era uma Vez em Hollywood, de Quentin Tarantino. Mas e se o troféu fosse para Joe Pesci, figura do mal em O Irlandês, de Martin Scorsese? Ou mesmo para Al Pacino, em trabalho magistral no mesmo filme? Seria injusto? Não parece.

Laura Dern, como a advogada barra-pesada de História de um Casamento, de Noah Baumbach, é dada como vencedora. Mas e a mãe perplexa de Kathy Bates em O Caso Richard Jewell, de Clint Eastwood? Ou Margot Robbie, como a jornalista novata em O Escândalo, de Jay Roach? Tudo para dizer que existem favoritismos claros, mas a disputa em 2020 pode ser mais acirrada do que se pensa, graças à qualidade dos concorrentes.

É também o que acontece na categoria de melhor filme internacional. Os especialistas garantem Parasita, do coreano Bong Joon-ho. Mas, convenhamos, quem assistiu aos magníficos Os Miseráveis, de Ladj Ly (França), Dor e Glória (Espanha) e Honeyland, de Ljubomir Stefanov e Tamara Kotevska (Macedônia do Norte) tem todo o direito de ficar com a pulga atrás da orelha. São rigorosos, fortes, inspirados.

Outra categoria bastante “congestionada” pela qualidade é a de documentário, justamente aquela em que concorre a brasileira Petra Costa com seu Democracia em Vertigem. A esta altura do campeonato até as pedras do caminho sabem que se trata de uma visão pessoal do tumultuado processo político dos últimos anos. Este momento de grande polarização política produz um fenômeno estranho: parte do País torce a favor do seu representante no Oscar e parte torce contra. Um dia vamos rir de tudo isso, mas, no momento, é motivo a mais para constrangimento.

Democracia em Vertigem concorre contra adversários muito fortes. Dois deles – The Cave e For Sama – têm por tema o horror da guerra na Síria e o mostram através de olhares femininos. São obras duras, muito fortes, muito boas e urgentes. Indústria Americana, tida como a favorita, é sobre o choque cultural entre duas mentalidades acerca do mundo do trabalho, a norte-americana e a chinesa. O filme, além disso, leva o selo da produtora do casal Michelle e Barack Obama.

Por fim, Honeyland, sobre uma apicultora artesanal da Macedônia do Norte, é uma obra maravilhosa, que tem encantado por onde passa. Só pelo fato de estar na companhia de concorrentes de tal nível, Petra Costa já pode dizer que fez história no Oscar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Zanin Oricchio
Estadao Conteudo
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