'Morte em Veneza', a peste e a pandemia

De Redação Estadão | 24 de agosto de 2020 | 07:10

Serão três sessões do Cineclube Arte 1 nesta segunda, 24. Pela manhã e à tarde, às 7h45 e 15h, o Caravaggio de Derek Jarman (1942-1993). À noite, às 23h30, Morte em Veneza, de Luchino Visconti (1906-1976). O retrato do pintor, o do músico. Visconti transformou o escritor do romance de Thomas Mann em compositor, um pouco porque a primeira fonte de inspiração de Mann para Aschenbach foi mesmo Gustav Mahler, mas principalmente porque queria utilizar sua música na trilha.

O Visconti virou obra de culto – a homossexualidade, a beleza idealizada, o amor platônico, a peste. Rever o filme em plena pandemia pede outro olhar sobre seu significado humano e estético. No limite, é um filme sobre o tempo, a finitude dos homens. Jarman não se confunde com ninguém mais no cinema inglês. É absolutamente original, e conceitual.

Jarman recria a época de Caravaggio numa garagem, valendo-se de poucos elementos para propor uma intemporalidade. Uma máquina de escrever, uma moto. O século 20 invade a virada do 17. Caravaggio é bissexual e busca seus modelos entre prostitutas, marinheiros e garotos de programa, com os quais se relaciona intimamente. Como é possível criar tanta beleza com tão poucos recursos? Jarman foi, à sua maneira, um gênio.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Carlos Merten
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