Mortes aumentam na Costa Oeste e incêndios viram tema de campanha

De Redação Estadão | 14 de setembro de 2020 | 07:08

Autoridades da Costa Oeste dos Estados Unidos acusaram neste domingo, 13, Donald Trump de negar as mudança climáticas, um dia antes de uma visita do presidente à Califórnia para avaliar os danos dos incêndios florestais. Oregon, Califórnia e Washington agora registram 33 mortes – 9 a mais do que na última sexta-feira – e dezenas de desaparecidos. A tragédia colocou o aquecimento global na campanha eleitoral, com Trump e seu rival Joe Biden adotando discursos diferentes diante do tema.

Trump atribuiu os incêndios à falta de manejo das áreas em chamas pelos seus rivais democratas. “O tema é gestão florestal”, disse o presidente republicano, no sábado, 12, em um comício de campanha em Nevada, sem mencionar as mudanças climáticas. “Recordem estas palavras: Gestão florestal”, repetiu. “Você precisa limpar o chão, você precisa limpar as florestas”, afirmou Trump, que já havia feito declarações semelhantes em agosto, quando os incêndios estavam começando.

Para as autoridades locais e especialistas, a escalada dos incêndios florestais, que vão do Canadá até o México, está vinculada ao aquecimento global, que agrava a seca crônica da região e provoca condições climáticas extremas.

Ainda no sábado, Joe Biden, que disputa com Trump a eleição que ocorre em 3 de novembro, também atacou o republicano. “O presidente Trump pode tentar negar a realidade, mas os fatos são inegáveis. Devemos agir absolutamente para evitar um futuro marcado por um dilúvio interminável de tragédias, como as que sofrem hoje as famílias americanas da Costa Oeste”, afirmou em um comunicado.

O senador democrata do Oregon Jeff Merkley disse ao programa This Week, da ABC News, que a devastação foi o resultado de uma combinação de males, incluindo o aumento das temperaturas causado pela mudança climática global. “As nevascas na Cordilheira das Cascatas ficaram menos intensas. Nossas florestas ficaram mais secas. Nosso oceano ficou mais quente e mais ácido.” As mudanças, disse Merkley, são as “consequências do aquecimento do planeta”. “Precisamos ter um presidente que siga a ciência.” No Oregon, ao menos 10 pessoas morreram.

O prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, sugeriu que o presidente estava relutante em ajudar os Estados da Califórnia, do Oregon e de Washington porque eles têm governadores democratas. Segundo ele, “culpar os Estados azuis (cor dos democratas) atrapalha a resposta” do governo federal ao problema. “Não se trata de gestão florestal. Aqueles que vivem na Califórnia ficam insultados com essa afirmação”, declarou ao canal CNN. No Estado, houve 22 mortes.

“É irritante ter um presidente que nega que não se trata apenas de incêndios florestais, e sim de incêndios climáticos”, afirmou a ABC Jay Inslee, governador do Estado de Washington, onde uma morte foi confirmada.

Fumaça densa

O esforço dos bombeiros na região tem resultado em avanços, mas a densa fumaça causada pelo fogo começa a trazer problemas no combate às chamas e para a saúde da população. Em Portland, a qualidade do ar ficou entre as piores do mundo ontem. Mesmo dentro de casa, moradores relataram dificuldade para respirar. Autoridades de saúde alertaram para que as pessoas não deixem suas casas por causa da nuvem tóxica.

A qualidade do ar em todo o Oregon foi classificada como “perigosa” ou “muito insalubre” por funcionários ambientais estaduais. Um alerta de “fumaça tóxica” do Serviço Meteorológico Nacional permaneceu em vigor em grande parte do Estado até pelo menos 18 horas no horário local de ontem. Havia avisos semelhantes no Estado de Washington.

Com a névoa, a visibilidade dos bombeiros foi a 400 metros ou menos e a luta contra as chamas ficou mais complicada. “Nossos desafios continuam a ser a visibilidade reduzida, limitando nosso reconhecimento aéreo e mudando rapidamente as condições de fogo”, disseram os bombeiros do condado de Clackamas em um comunicado no sábado. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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