MPF investiga causas do acidente em falésia que matou família em Pipa

De Redação Estadão | 18 de novembro de 2020 | 22:16

O procurador Victor Manoel Mariz, do Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte determinou, em despacho assinado no final da tarde desta terça-feira, 17, a instauração de notícia de fato em caráter de urgência com o objetivo de deflagrar as investigações sobre o deslizamento de um trecho de falésia na Baía dos Golfinhos, no distrito da praia da Pipa, provocando a morte de uma família.

Stela, Hugo e o filho de 7 meses, Sol, morreram soterrados no final da manhã de terça-feira enquanto aproveitavam um dia de folga na praia. Banhistas relataram aos policiais civis e militares que atenderam a ocorrência, que a família chegou a ser alertada do risco de permanecer naquele local por um fiscal da prefeitura de Tibau do Sul.

Encaminhados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), o geólogo Érico de Castro Borges e a engenheira Aline Cristina Leal do Departamento de Obras de Proteção e Defesa Civil (DOP) chegaram nesta quarta-feira, 18, ao distrito da praia da Pipa. Conforme nota do ministério distribuída à imprensa, eles “vão avaliar os riscos de novos incidentes e definir quais ações de prevenção devem ser realizadas no local.” No texto, o MDR assinalou que Pipa é um dos principais destinos turísticos do Rio Grande do Norte, e é impactada pelo avanço do mar, que, nos ciclos de maré alta, atingem as falésias e vão desgastando a base da encosta.

“Determinei que a Defesa Civil dê apoio no levantamento das causas e no enfrentamento do problema. Queremos evitar que tragédias como essa voltem a se repetir. Pipa é uma das principais praias do Brasil, vamos trabalhar para garantir a segurança dos frequentadores”, afirmou o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Ao lado de técnicos das Defesas Civis da prefeitura de Tibau do Sul, responsável pelo distrito da Pipa, e do Governo do Estado, além de procuradores da República, e representantes do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema/RN), os representantes do MDR vistoriaram o trecho de praia no qual o acidente ocorreu, assim como a parte superior da falésia.

No início da noite da terça-feira, a prefeitura determinou o isolamento de nove imóveis na parte de cima da formação rochosa e do trecho da praia onde as mortes ocorreram.

No Ofício Nº 307/2020 da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Mobilidade Urbana de Tibau do Sul encaminhado ao procurador da República, Victor Manoel Mariz, a titular da pasta, Ieda Maria Melo Cortez, adiantou que “foram sinalizados pelo município diversos pontos ao longo da orla com placas indicativas de risco de queda de falésia previamente ao acidente, em vistoria conjunta com a Defesa Civil Estadual, além de realizadas postagens nas redes sociais da Prefeitura Municipal”.

Ao ofício, a secretária municipal anexou imagens das postagens nas quais cita os riscos de deslizamentos provocados pela erosão nas proximidades da escadaria Madeiro Beach, escadaria Marajoara e entrada da Baía dos Golfinhos (trecho no qual ocorreu o acidente da terça-feira).

Despedida

O típico barulho dos turistas e o vai e vem dos bugues pelas ruas estreitas do distrito da Pipa deram lugar ao silêncio e tristeza na manhã desta quarta-feira, 18. Os corpos da estudante de Psicologia, Stela Silva de Souza, de 33 anos; do administrador Hugo Mendes Pereira, natural de Jundiaí (SP), de 32 anos, e o do filho do casal, Sol de Souza Pereira, de sete meses, foram enterrados no Cemitério Público local. Os corpos foram velados por familiares, amigos e admiradores do casal na pousada que eles administravam, a Morada da Brisa Pipa.

Os funcionários do Hotel Sun Bay, onde Hugo Mendes Pereira tinha começado a trabalhar havia cerca de 30 dias, realizaram uma homenagem na praia, próximo ao ponto onde ocorreu o acidente. Com flores espalhadas pela areia, formando um semicírculo, eles rezaram para a família.

Nas redes sociais do empreendimento, consta uma homenagem. “Você foi um presente. Chegou trazendo LUZ… generoso, doce, acolhedor, um ser humano maravilhoso. Você foi especial, formidavelmente diferente. Todos nós tivemos muita sorte! Só nos resta orar e conviver com a saudade que será imensa! Saudade multiplicada por três, a deusa Stela (como ele dizia) e o seu Sol. E ter a plena certeza que não é o fim! Eles VIVEM!”

Em homenagem à família, pessoas saíram às ruas do vilarejo e aplaudiram enquanto o cortejo fúnebre seguia.

Conforme laudo preliminar do Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep/RN), as mortes foram caracterizadas como resultado de ação contundente das pedras de barro que desabaram sobre eles.

Ricardo Araújo, especial para o Estadão
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