No Equador, aliado de Correa aguarda rival do 2º turno

De Redação Estadão | 9 de fevereiro de 2021 | 07:22

Andrés Arauz, economista de esquerda de 36 anos, aliado do ex-presidente Rafael Correa, confirmou o favoritismo e foi o candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial do Equador. Com 98,6% das urnas apuradas, Arauz tinha até a noite desta segunda-feira, 8, 32,13% dos votos. Seu adversário, porém, permanecia incerto.

Contrariando as pesquisas de boca de urna, Yaku Pérez, líder indígena e ambientalista de centro-esquerda, estava em segundo, com 19,94%, seguido de perto pelo ex-banqueiro conservador Guillermo Lasso, que tinha 19,57%. No domingo, 7, as sondagens davam uma margem mais folgada para Lasso.

Lasso e Pérez já trocaram de posição na vice-liderança mais de uma vez durante a apuração, o que torna o resultado ainda mais imprevisível. O segundo turno ocorre em 11 de abril.

Considerado favorito para vencer, Arauz foi ministro de Coordenação de Conhecimento e Talento Humano de Rafael Correa, que governou de 2007 a 2017. Também ocupou cargos no Banco Central e integrou a equipe econômica do governo. Seu projeto, alinhado com o pensamento do ex-presidente, prevê um Estado grande e presente, renegociação da dívida pública e aproximação internacional com a China.

Candidato do movimento indígena Pachakutik, Pérez foi presidente da confederação Ecuarunar e governador da Província de Azuay. Ele se diz opositor de Correa e do atual presidente, Lenín Moreno, que não concorreu à reeleição, e se define como representante de uma esquerda “ecológica e comunitária”.

No domingo, ele colocou em dúvida as pesquisas de boca de urna que davam a segunda posição para Lasso. “As pesquisas de boca de urna operam em função dos interesses do foragido e do banqueiro. Somos a segunda força política do país e, depois do segundo turno, seremos a primeira”, disse Pérez, em referência ao exílio do ex-presidente, na Bélgica, e sua impossibilidade de voltar ao Equador, onde foi condenado a oito anos de prisão por corrupção.

Ontem, o líder indígena disse que ele era vítima de uma trama que envolvia Correa, Lasso e o prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot, para tirá-lo do segundo turno. “São 15 pontos que foram retirados do nosso voto e transferidos para outros candidatos, a única forma de mostrar isso é abrir as urnas e contar os votos nas províncias de Guayas, Pichincha e Manabí”, disse Pérez ao jornal El Universo. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disse que não há até agora irregularidades na apuração.

Lasso, candidato do movimento Creo e do Partido Social Cristão, representa a opção conservadora e de centro-direita. Empresário e ex- banqueiro, ele disputa pela terceira vez a presidência e aparecia em segundo lugar na maioria das pesquisas antes da disputa – no Equador, só é possível a divulgação de levantamentos 10 dias antes da eleição, mas a sondagem de boca de urna é liberada.

Em 2013, Lasso foi derrotado por Correa. Em 2017, passou para o segundo turno, mas perdeu para Lenín Moreno – então candidato de Correa -, que obteve 51,6% contra 48,8% do conservador. Em sua campanha, ele defendeu uma agenda liberal, com a abertura da economia, privatizações e redução do Estado. Lasso disse que aguardará o resultado das urnas. “Respeitamos a lei. Isso significa reconhecer os resultados quando 100% das atas forem apuradas.”

Para o professor Arthur Murta, do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), a ascensão de Perez é a maior surpresa nas eleições, independentemente de sua confirmação ou não no segundo turno. Murta disse que o indígena rompe a tradições dos grupos da esquerda equatoriana, pois critica o modelo de desenvolvimento econômico empregado por Correa.

“Perez é uma nova esquerda, que não apoia o modelo extrativista que as esquerdas latino-americanas tiveram nessa primeira década dos anos 2000. Ele traz uma plataforma muito preocupada com questões ambientais e de violência de gênero, que é algo muito grave no Equador. Inclusive, ele tem uma mulher como vice”, afirmou. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Redação, O Estado de S.Paulo; colaborou Tulio Kruse
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