Noitão está de volta e celebra o terror

De Redação Estadão | 13 de março de 2020 | 07:30

Sexta-feira 13 e o Noitão Petra Belas Artes celebra o terror. Uma madrugada de sustos, mas, quando ela começar, o público já estará a salvo – porque será sábado, 14. O Noitão começa com a pré-estreia de Possessão – O Último Estágio, a partir de 23h30. O longa do cineasta de Cingapura Pearry Reginald Teo é sobre um pai que, como parte do processo de amadurecimento do filho, força o garoto a encarar os próprios medos.

Quando o menino começa a ver monstros, o caminho para a possessão está aberto. No estágio final, a entidade demoníaca entra em simbiose com a alma do hospedeiro. O cinéfilo, com certeza, lembra de Regan/Linda Blair, possuída por Pazuzu e transformada num monstro no cultuado O Exorcista, de 1973.

Justamente o filme famoso de William Friedkin. Importantes críticos e historiadores gostam de fazer abordagens de cunho sociopolítico. O Exorcista repercutiu tanto porque forçou a América, fragilizada, a olhar-se num espelho. O escândalo de Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, solapou as instituições, despertou desconfiança.

Nesse quadro, o que parecia perfeito – a garota linda, filha de uma estrela de cinema -, vira aquela coisa monstruosa. O Exorcista virou um fenômeno planetário. Teve muitas imitações. Uma delas foi feita na Itália e será uma das atrações do Noitão. Antonio De Martino não é um diretor pelo qual os críticos tenham apreço. Copiou receitas e transformou-as em filmes de sucesso. Épico, spaghetti western, espionagem à James Bond, Máfia. Em 1974, cometeu o seu exorcismo.

Garota carrega as sequelas de um acidente. Amargurada, submete-se a um ritual católico, em busca de um milagre, mas a perda da fé a torna presa fácil para o Demônio. O Anticristo – nada a ver com a versão de Lars Von Trier – foi feito com orçamento irrisório, o que não impediu o diretor de contar com a grande atriz Alida Valli (dos filmes de Visconti, Hitchcock e Bertolucci) além do compositor Ennio Morricone. Recebido a pedradas, na época, o filme virou cult. De Martino filma orgias em que a garota, interpretada por Carela Gravina, faz sexo com o próprio Diabo.

O público do Noitão mal terá tempo de recuperar o fôlego e começarão as emoções de Stigmata, de Rupert Wainright. O terror de 1999 pertence à leva de filmes produzidos na onda da paranoia que antecedeu a aurora do ano 2000. Havia o medo de que se concretizassem as sinistras profecias de Nostradamus, e na nova era digital o apocalipse teria a forma do bug do milênio.

A ficção de Wainright começa numa cidade do interior do Brasil, onde o padre Gabriel Byrne, enviado pelo Vaticano, investiga o caso da estátua da santa que verte lágrimas de sangue. Salta para Nova York, onde Patricia Arquette começa a sofrer, no próprio corpo, o flagelo da stigmata, as chagas de Cristo. De novo Byrne investiga o caso, e dessa vez se choca com Jonathan Pryce, como o arcebispo que quer abafar o caso. Tanto quanto a paranoia e o medo, o Noitão aborda temas polêmicos ligados à religião. No limite, o que está em discussão é o crer, ou não crer. Só que, mais que a transcendência e a elevação, esses filmes lidam com o horror da existência, os aspectos mais autoritários das instituições religiosas.
Como sempre a programação inclui um filme surpresa. Boa sorte para os corajosos que se preparam para ingressar nessa madrugada de emoções fortes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Carlos Merten
Estadao Conteudo
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