Nova cepa de coronavírus encontrada na Finlândia pode ser difícil de detectar

De Redação Estadão | 19 de fevereiro de 2021 | 19:44

Um laboratório na Finlândia descobriu uma nova cepa de coronavírus, que foi identificada como Fin-796H e encontrada no sul do país. Um estudo conjunto dos laboratórios Vita e do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Helsinque mostrou que essa nova cepa não pode ser detectada por todos os testes de PCR aprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo um comunicado oficial.

“Vita Laboratoriot Oy e o Instituto de Biotecnologia da Universidade de Helsinque detectaram uma variante anteriormente desconhecida do coronavírus em uma amostra do sul da Finlândia. As mutações nesta variante tornam difícil a detecção em pelo menos um dos testes de PCR recomendados pela OMS. Esta descoberta pode ter um impacto significativo na determinação da propagação da doença”, afirmou o laboratório Vita.

O estudo afirma que a Fin-796H é bastante diferente de todas as cepas encontradas anteriormente. “Sua herança tem as mesmas características das variantes anteriormente difundidas no mundo, mas não parece pertencer à linhagem de nenhuma das variantes conhecidas”, explica o comunicado.

Os pesquisadores ainda não identificaram onde essa mutação se desenvolveu e disseram acredita que pode ter sido fora da Finlândia porque o país tem um número significativamente menor de casos covid-19. Segundo a imprensa no país, ainda não está claro como as vacinas serão eficazes contra a nova cepa de coronavírus.

A descoberta da mutação do coronavírus na Finlândia deixou alguns cientistas perplexos em razão do trabalho eficaz da nação em limitar as mortes por covid. O país de 5,5 milhões de residentes relatou apenas 725 mortes pela doença, segundo a Universidade Johns Hopkins.

Até a última quinta-feira, o país havia reportado 450 casos de variantes do coronavírus, de acordo com centro de controle de doenças infecciosas do país, THL. Desses casos, a maioria, 427, era da variante britânica, 22 da variante sul-africana e 1 da brasileira.

Mas, de acordo com o professor de virologia da Universidade de Turku Ilkka Julkunen, a informação não deve criar pânico. “Eu não ficaria muito preocupado ainda porque não temos informações claras de que esta nova cepa seria mais facilmente transmitida ou que afetaria a proteção imunológica proporcionada por quem já teve o vírus ou recebeu uma vacina”, disse Julkunen, em entrevista ao New York Daily News.

Petri Auvinen, diretor de pesquisa do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Helsinque, disse que a descoberta de novas variantes do coronavírus era inevitável. “No entanto, a variante recém descoberta difere das anteriores porque não se assemelha geneticamente a nenhuma outra variante conhecida”, observou Auvinen ao mesmo jornal.

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