Nova série atualiza a comédia 'Quatro Casamentos e Um Funeral'

De Redação Estadão | 31 de março de 2020 | 07:00

Como a maior parte da humanidade, a atriz, roteirista e produtora Mindy Kaling (The Office, The Mindy Project) era fã das comédias românticas escritas por Richard Curtis, como Quatro Casamentos e Um Funeral (1994), Um Lugar Chamado Notting Hill (1999), O Diário de Bridget Jones (2001) e Simplesmente Amor (2003). Então foi com pouco interesse que ela viu a possibilidade de transformar o primeiro deles em uma minissérie. Mas aí ela pensou melhor. E acabou fazendo Four Weddings and a Funeral, em dez episódios, no ar todas as terças às 22h30 no canal Fox Premium 1 e no aplicativo da Fox. “Eu pensei: valeria a pena se fosse uma história de amor pelo meu olhar, com um romance entre uma mulher afro-americana e um homem inglês de origem paquistanesa”, disse a atriz em painel do evento de imprensa da Associação de Críticos de Televisão em Los Angeles. “Por sorte, os produtores acharam que era uma boa ideia encher o elenco de pessoas que não costumamos ver muito nesse tipo de papel. E então foi empolgante.”

O longa era centrado no inglês Charles (Hugh Grant), um solteirão convicto de cabelos charmosamente desgrenhados e falas hesitantes, que encontrava (e se desencontrava) a americana Carrie (Andie MacDowell) em quatro casamentos e um funeral. Na minissérie, Maya (Nathalie Emmanuel, a Missandei de Game of Thrones) é uma americana trabalhando para um senador em Nova York que vai a Londres para o casamento de sua melhor amiga, Ainsley (Rebecca Rittenhouse) e reencontra os amigos Craig (Brandon Mychal Smith), que trabalha no mercado financeiro com o noivo de Ainsley, Kash (Nikesh Patel), e Duffy (John Reynolds), professor de latim. Já no aeroporto, Maya tem um “meet cute”, o encontro fofo que dá o pontapé inicial a todas as comédias românticas, com Kash, sem saber que ele é o noivo de sua amiga. Não é difícil imaginar onde isso vai dar.

A equipe de produtores americanos – além de Kaling, Tracey Wigfield e Matt Warburton – pediu a bênção para Richard Curtis. “Eu tive um almoço com ele, que veio também à primeira leitura do roteiro e assistiu a episódios editados. Foi importante para nós tê-lo a bordo”, disse Mindy Kaling. Four Weddings and a Funeral está cheio de pequenas homenagens ao original e também a outros filmes escritos por Curtis, incluindo a passagem de estações de Um Lugar Chamado Notting Hill e uma ponta de Andie MacDowell como a mãe de Ainsley. “Roubamos algumas coisas descaradamente”, contou Tracey Wigfield. Mas o principal, segundo Kaling, foi focar nas amizades, como no filme original. “Eu queria mostrar amizades como as que tenho com meus amigos e que normalmente não vejo na televisão ou no cinema”, afirmou ela. “Nunca vi um filme, por exemplo, em que um homem anglo-paquistanês e outro afro-americano são melhores amigos do trabalho, e os dois atuam no mercado financeiro. Não vemos isso o tempo todo. E é tão bom ver a relação de Kash e Craig que fico pensando: por que não vimos isso antes? Além de tudo, os dois não parecem ter fronteiras raciais que normalmente vemos em outras séries. Quero continuar fazendo isso.”

A minissérie também dedica um bom tempo à família simples de Kash, que mora num sobradinho geminado em Hounslow, bem longe do glamour de South Kensington, onde os outros personagens circulam. “Foi muito legal mostrar esse lado diferente de Londres”, explicou Nikesh Patel.

Havia várias coisas “proibidas” na nova versão, segundo os produtores. “Por exemplo, no filme Charlie tem uma relação muito forte com o irmão, que tem problemas de audição. O discurso no funeral também era muito marcante”, lembrou Kaling. Para Tracey Wigfield, era simples: “Era um momento tão icônico no filme, não queríamos fazer pior, sabe?”. Kaling também não queria o cara britânico de cabelo desgrenhado. “Há outras maneiras de ser sexy. Hugh Grant é um ícone das comédias românticas. Não queríamos comparações desfavoráveis com o filme. E isso abriu espaço para criar outros personagens divertidos.”

Nathalie Emmanuel confessou ter tentado incluir a famosa frase “Está chovendo?” do longa. “Mas o diretor disse: Pode parar.” Ela conseguiu, porém, testar várias formas de dizer um palavrão, o mesmo com que Hugh Grant abre Quatro Casamentos e Um Funeral. “Foi catártico. Todo o mundo deveria tentar, faz bem!”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mariane Morisawa, especial para o Estado
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