O bonde que passa e vira memória

De Redação Estadão | 28 de maio de 2019 | 04:45

Uma mulher de uniforme preto olha uma vez, duas, e ainda se vira novamente para se certificar do que viu. Como ela, outros passantes desviam o olhar, entortam o pescoço e até diminuem o passo na correria do Largo da Batata para conferir a novidade: um “bonde monumento”.

De madeira vazada, o item lembra os bondes que passavam por Pinheiros, na zona oeste, até pouco mais de 50 anos atrás. Ele foi disposto sobre o chão de paralelepípedos, no trecho do largo onde estão instalados trilhos de 1909 encontrados durante obras no entorno.

A ocupação leva o nome de “Cadê o bonde que passava aqui?” e vai até dia 2, com a realização do coletivo Foi à Feira. A ideia é resgatar as memórias, desde aquelas dos que conviveram com os bondes até as dos que desconhecem o passado mais distante do bairro. Essa troca já ocorre há alguns meses, com entrevistas que deram origem a um documentário, que é exibido na parte externa em terças, quintas e domingos, à noite. A programação inclui ainda oficinas, rodas de conversa e apresentações musicais.

“Falamos com bastante gente, com comerciantes e alguns moradores, desde os antigos até o bar que abriu ontem. De maneira geral, quem saiu tem uma visão mais saudosista do espaço, de como era antes”, conta uma das realizadoras, a produtora cultural Clarissa Ximenes, de 29 anos.

Todos os dias, a partir das 15 horas, arteeducadoras ficam no local. “A ocupação vai produzir cartazes, jornais. Vai produzir graficamente, produzir conversando, para gerar afeto, uma troca com esse espaço”, conta Clarissa. E na parte interna a estrutura tem banquinhos abaixo de caixas de som, que tocam narrativas criadas a partir de depoimentos de moradores, ex-moradores e frequentadores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.