Operação Mustela mira em esquema que cobrava de pacientes para furar fila do SUS

De Redação Estadão | 30 de maio de 2019 | 10:05

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná cumpriu nesta quinta-feira, 30, quatro mandados de busca e apreensão na Operação Mustela. A investigação mira no envolvimento de agentes públicos e profissionais de saúde em um esquema que cobrava de pacientes para furar a fila de prioridades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os mandados foram cumpridos em Curitiba e Campo Largo, na região metropolitana da capital. O Ministério Público foi a três albergues de uma casa de apoio e em uma residência.

Em nota, a Promotoria informou que o objetivo dos mandados é colher provas sobre o suposto envolvimento do proprietário da casa de apoio na intermediação de cobrança de valores de pacientes para internamento em hospitais pelo SUS. A suspeita é de que o investigado, a partir de seus contatos nas unidades de saúde, burlava a fila do SUS, passando pacientes na frente de outros prioritários.

Foram apreendidos documentos, valores em dinheiro e aparelhos de telefone celular. As investigações são conduzidas pela 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo.

Denúncia

A Vara Criminal de Campo Largo determinou a imediata suspensão das atividades de um médico denunciado pelo Ministério Público do Paraná na Operação Mustela. A acusação da 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo contra quatro investigados por concussão (exigir vantagem indevida em razão do cargo que ocupa) aponta que o grupo cobrava indevidamente de pacientes para furar a fila de prioridades do SUS.

Na decisão, a Justiça determinou que outros três investigados – entre eles, um vereador de Bandeirantes (PR) que atuava na intermediação das tratativas – não mantenham qualquer tipo de contato com pessoas identificadas no processo como vítimas das cobranças indevidas.

Ao afastar das funções o médico, que atua na área de Ortopedia, a Justiça destaca que o não cumprimento da decisão pode acarretar a imediata decretação de sua prisão preventiva.

A investigação do Ministério Público sobre o esquema começou em 2017. O inquérito aponta que, além de Campo Largo, o grupo atuou em outros municípios do Paraná.

A partir de depoimentos de vítimas e informações obtidas por meio de quebra de sigilos telefônicos, a operação foi deflagrada em dezembro de 2018, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com o cumprimento de mandados de buscas e apreensão e de prisão temporária contra alguns envolvidos.