Otimismo moderado no exterior e vacina no Brasil sustentam ganhos do Ibovespa

De Redação Estadão | 17 de dezembro de 2020 | 11:11

O apetite a risco está de volta aos mercados nesta quinta-feira, 17, ainda que um pouco mais moderado do que no fechamento da véspera. Investidores seguem esperançosos de que os Estados Unidos conseguirão aprovar ainda este ano um novo pacote fiscal para ajudar a abrandar os continuados impactos da pandemia de coronavírus. O mercado ainda se mostra otimista sobre as chances de um acordo comercial entre Reino Unido e União Europeia e também com a sinalização do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de que continuará agindo, se necessário, com novos estímulos.

Por mais que alguns considerem baixo o valor do pacote nos EUA – de cerca de US$ 900 bilhões – a ser aprovado em relação ao que já chegou a ser cogitado (em torno de US$ 2 bilhões), Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, ressalta que se isso ocorrer ajudará a manter o otimismo dos mercados. “Além dessa expectativa, tem a ajuda da União Europeia que começa a chegar e o Japão, que também segue colocando incentivos. Ou seja, são mais estímulos para a economia mundial em 2021”, cita.

Enquanto a imunização contra a covid-19 vai ganhando terreno em outros países, o Brasil ainda está paralisado. No entanto, deve ser bem recebida a notícia de que o Ministério da Saúde quer assinar, ainda esta semana, contrato com o Instituto Butantan para a compra de doses da Coronavac. O governo quer começar a vacinar a população em meados de fevereiro.

O início da imunização é esperado com grande expectativa, à medida que os benefícios do governo brasileiro para socorrer o País durante o auge da pandemia vão sendo expirados e há alguns sinais de arrefecimento da atividade. Hoje, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o Banco Central (BC), reforçou a importância da ciência no combate ao coronavírus, ao ressaltar os ‘resultados promissores nos testes das vacinas contra covid-19’.

Porém, ponderou que indicadores recentes sugerem continuidade de recuperação desigual entre setores e que frustrações em relação às reformas podem elevar prêmios de risco. “Preservar no processo de reformas e ajustes é essencial para recuperação sustentável.”

“É preciso começar a organizar o cronograma de vacinação, pois bate em cheio na atividade. O setor de eventos do Brasil está praticamente paralisado”, afirma Cruz. Além disso, ele acrescenta que a questão fiscal merece ser acompanhada com afinco apesar da aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ontem, que livrou o governo de paralisia.

Na LDO, o espaço para contingenciamentos está bastante restrito, e prevê para 2021 R$ 83,9 bilhões em despesas discricionárias, que incluem custeio e investimentos e podem ser alvo da tesourada. “Apesar da aprovação, a questão fiscal não está tão segura”, afirma Cruz.

A valorização de 1,30% na cotação do minério de ferro negociado no porto chinês de Qingdao, a US$ 158,49 a tonelada, também deve trazer alívio e impulsionar o Ibovespa, que ontem terminou o pregão em 117.857,35 pontos (1,47%), maior nível desde 22 de janeiro, marcando ganho no ano de 1,91%. Já o petróleo tem alta moderada de até 0,50% no mercado internacional. Há quem acredite que o índice vai testar os 120 mil pontos ainda este ano.

Às 11h03, o Ibovespa subia 0,26%, aos 118.168,85 pontos, enquanto no pré-mercado dos EUA a alta máxima era de 0,50% (Nasdaq). Na Europa, Londres cedia 0,11%, após o Banco Central da Inglaterra manter, como o esperado, o juro e o tamanho de programa de estímulos em 895 bilhões de libras.

Maria Regina Silva
Estadao Conteudo
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