Padrinhos, montagens e ação judicial marcam TV

De Redação Estadão | 10 de outubro de 2020 | 07:00

Dez minutos de horário eleitoral gratuito foram suficientes para aparição de montagens que simulam a linguagem de redes sociais, exibição de imagens do presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, filmagens que contam algum recorte da história de vida dos candidatos e até aparição de celebridade – vetada pela Justiça Eleitoral. Foi assim que teve início, ontem, a campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo na TV e no rádio.

Enquanto pesquisas mostram que a maior parte do eleitorado ainda não escolheu seu candidato, campanhas apostam que o horário eleitoral gratuito possa fazer os concorrentes ficarem conhecidos. A última pesquisa Ibope/Estadão/Datafolha aponta que 53% dos entrevistados não sabe em quem votar quando não é apresentado a uma lista de quem está na disputa. Marqueteiros pretendem dar ainda mais atenção aos programas, já que, até ontem, nenhuma rede de TV aberta pretendia transmitir debate. O cancelamento mais recente foi anunciado pela TV Globo.

Na largada da campanha televisiva, alguns candidatos confirmaram as estratégias que já vinham colocando em prática. Primeiro colocado no Ibope, Celso Russomanno (Republicanos) afirmou ter o apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro e lembrou suas derrotas nas últimas eleições. “São Paulo precisa de um prefeito que tenha o apoio do presidente da República. Sou esse candidato”, disse. Como mostrou ontem o Estadão, até a escolha do marqueteiro de Russomanno passou pelo crivo do Palácio do Planalto.

Em busca de reeleição, Bruno Covas (PSDB) usou os quase 3,5 minutos de propaganda para apresentar os investimentos da Prefeitura na área da Saúde, a negociação de um empréstimo de R$ 1 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no ano passado e a promessa de entrega de oito novos hospitais (alguns já existem e vão passar por reforma). Atual governador, João Doria (PSDB) não foi citado. O filme mostra imagens do tratamento de Covas contra o câncer e exibe imagens do seu avô, Mário Covas (PSDB). Na filmagem, o ex-governador fala sobre adversidade em seu discurso de posse em 1999.

Andrea Mattarazzo (PSD) também recorreu a seu histórico. O candidato decidiu não fazer jingle e pretende aparecer sozinho em todos os programas.

Outros candidatos tentaram mudar a fórmula. Com 17 segundos, Guilherme Boulos (PSOL) escalou o ator e diretor Wagner Moura, que lembrou da gestão da vice, Luiza Erundina, de 1989 a 1992. À noite, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão do comercial.

Provocada pela equipe de Joice Hasselmann (PSL), a Justiça entendeu que o vídeo fere a legislação, pois o apoiador aparece mais do que 25% do tempo de propaganda. A campanha do PSOL diz que usou a voz de Moura sobre imagens de Boulos e acusa Joice de fazer “trucagem”.

Em uma linguagem típica de redes sociais, a propaganda de Joice fez montagens, inserindo o rosto da candidata em personagens famosos, como a protagonista dos filmes Kill Bill, e abusou de referências a desenhos animados, como Peppa Pig, Tio Patinhas e Corrida Maluca. Ícones da cultura pop foram apresentados em cortes rápidos, como num vídeo de TikTok.

Para Luiz Peres-Neto, pesquisador de Comunicação, Consumo e Ética da ESPM, a peça sinaliza uma tentativa de subverter características atribuídas à candidata. De acordo com o professor, o conceito consiste em pegar algo que é atribuído como um defeito e fazer com que isso se torne uma vantagem. No caso de Joice, a comparação a Peppa Pig surgiram como ataques gordofóbicos nas redes. Há também um tom de solucionadora, diz o professor, por conta das personagens escolhidas para a peça, todas heroicas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Brenda Zacharias, Matheus Lara, Pedro Venceslau e Tulio Kruse
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