'Para nós, não existe alimento bom ou ruim', dizem representantes da indústria

De Redação Estadão | 19 de setembro de 2020 | 12:25

Para representantes da indústria de alimentos, a revisão do guia brasileiro é necessária pois a classificação utilizada no documento, que divide os alimentos por nível de processamento, simplifica a discussão e cria um conceito de que todos os produtos industrializados são ruins para a saúde.

Em entrevista ao Estadão, executivos da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) afirmaram que a associação de comida processada a um maior risco de obesidade, diabete e outras doenças é equivocada, desconsidera que esses problemas são multifatoriais e a indústria tem feito inovações e alterações em seus processos para reduzir o teor de componentes como sal, açúcar e gordura em suas composições.

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“Entendemos que o guia é um documento importante, mas nos opomos ao capítulo 2, que traz a classificação por nível de processamento. Ele coloca todos os alimentos industrializados como ruins. Para nós, não existe alimento bom ou ruim. O que existe é dieta desequilibrada”, afirmou João Dornellas, presidente executivo da Abia.

“O consumo de sal, açúcar e gordura saturada deve ser reduzido, isso é um fato. Mas deve ser reduzido não só do alimento industrializado, mas também da comida do restaurante e da comida feita em casa”, destacou Alexandre Novachi, diretor de assuntos regulatórios e científicos da Abia.

Os executivos mencionam que a indústria tem adotado voluntariamente práticas para melhorar a qualidade nutricional de seus produtos. “Temos um acordo voluntário com o Ministério da Saúde há mais de uma década, anterior a esse guia, que prevê a redução nos nossos produtos de alguns macronutrientes que não devem ser consumidos em exagero. Graças a isso, já tiramos 310 mil toneladas de gordura, 17 mil toneladas de sódio e 144 mil toneladas de açúcar da mesa do brasileiro”, disse o presidente da associação.

Para a entidade, a classificação mais adequada seria a que divide os alimentos de acordo com as funções fisiológicas – por exemplo, energéticos, construtores, reguladores. “É a classificação que costumamos ver naquelas pirâmides alimentares, adotadas por alguns países. Os açúcares e óleos, por exemplo, estão presentes lá em cima, no topo da pirâmide, em pequenas quantidades. Ou seja, o critério deveria ser o equilíbrio”, afirma Dornellas.

O executivo diz que a indústria conta com engenheiros de alimentos para melhorar esses processos e que, assim como todo campo da ciência evolui, a produção alimentar também tem passado por mudanças que deveriam ser consideradas na elaboração de um guia. “Fizemos sugestões para o documento em 2014, mas elas não foram consideradas. Não fomos chamados para a reunião de consolidação da proposta”, relatou Novachi.

“A indústria emprega tecnologia, ciência e inovação para sempre mudar o que pode ser melhorado. A gente não quer impor nada, mas quer ser ouvido. Temos especialistas que estudam alimentos o dia inteiro, é preciso ouvir vozes diferentes”, diz Dornellas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fabiana Cambricoli
Estadao Conteudo
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