Pentágono corta número de soldados americanos no Iraque e no Afeganistão

De Redação Estadão | 18 de novembro de 2020 | 07:03

O presidente dos EUA, Donald Trump, mandou o Pentágono cortar o contingente de soldados no Afeganistão e no Iraque até meados de janeiro. O anúncio foi feito nesta terça, 17, pelo secretário interino de Defesa, Christopher Miller. A decisão é uma promessa de campanha de Trump e foi tomada apesar dos alertas de que a retirada prematura pode afetar a segurança dos americanos e as negociações com o Taleban.

Miller anunciou o plano em um discurso no Pentágono, oito dias depois de assumir o cargo. Seu antecessor, Mark Esper, era contra. Pouco antes de ser demitido, ele enviou um memorando confidencial à Casa Branca argumentando que as condições no Afeganistão não justificavam a retirada.

O Pentágono informou que reduzirá o número de soldados no Afeganistão de 5 mil para 2,5 mil e no Iraque de 3 mil para 2,5 mil. A redução ocorrerá até o dia 15 de janeiro, cinco dias antes de Trump deixar o cargo.

“Devemos este momento aos patriotas que fizeram o sacrifício final e aos nossos camaradas que carregam seu legado”, disse Miller. “Lamentamos a perda de mais de 6,9 mil soldados americanos, que deram suas vidas no Afeganistão e no Iraque, e nunca esqueceremos os mais de 52 mil que carregam as feridas da guerra e todos aqueles que ainda carregam suas cicatrizes – visíveis e invisíveis.”

A decisão de reduzir as tropas no Afeganistão ocorre nove meses depois que EUA e Taleban chegaram a um acordo para remover todas as tropas americanas até maio de 2021, se algumas condições forem atendidas. Oficiais militares dos EUA, no entanto, são céticos quanto ao compromisso do Taleban em cumprir os termos do acordo.

Como exemplos da desconfiança, serviços de inteligência e analistas militares citam o aumento da violência contra os afegãos, desde que o acordo foi assinado, e as dúvidas sobre a capacidade do Taleban de romper com a Al-Qaeda.

Miller garantiu que os cortes são consistentes com os planos e objetivos estratégicos estabelecidos pelo governo e têm como base conversas contínuas com conselheiros de segurança nacional em seu gabinete. Ele não comentou sobre o fato de Esper ter sido contra a redução.

Um oficial militar, que falou sob condição de anonimato à TV CNN, disse que os líderes militares foram informados no fim de semana sobre os planos do presidente.

Imediatamente após o anúncio do Pentágono, autoridades iraquianas confirmaram que pelo menos dois foguetes Katyusha atingiram a fortificada Zona Verde de Bagdá, sinalizando o fim de uma trégua informal anunciada em outubro por milícias apoiadas pelo Irã. Segundo a agência France Presse, os foguetes atingiram a embaixada dos EUA.

Jornalistas disseram ter ouvido várias explosões, seguidas do som de outras detonações e de clarões avermelhados no céu, o que indicaria que o sistema de defesa americano C-RAM foi rapidamente ativado na sede diplomática. Segundo a Associated Press, autoridades locais disseram que pelo menos dois iraquianos do serviço de segurança ficaram feridos.

A guerra do Afeganistão começou em 7 de outubro de 2001, como resposta aos atentados do 11 de Setembro, e se tornou o mais longo conflito protagonizado pelos EUA. Ao todo, as tropas americanas tiveram mais de 2,3 mil soldados mortos em combate e 20 mil feridos, segundo dados do Pentágono. No Iraque, foram mais de 4 mil mortos e 32 mil feridos.

Em 2019, o Pentágono calculava que o custo total das operações militares no Afeganistão havia chegado a US$ 776 bilhões desde 2001, incluindo os US$ 197,3 bilhões destinados à reconstrução do país, desde a infraestrutura até as instituições. No entanto, segundo estudo da Universidade Brown, o custo total da guerra ao terror – declarada após os ataques do 11 de Setembro – seria muito superior. Levando em consideração os conflitos no Iraque, Afeganistão e em outros lugares, a estimativa é que o gasto total tenha sido de cerca de US$ 6,4 trilhões em 18 anos. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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