'Precisei de tempo para equilibrar a emoção', diz Jennifer Hudson

De Redação Estadão | 25 de dezembro de 2019 | 07:40

Vencedora do Oscar por Dreamgirls – Em Busca de um Sonho, Jennifer Hudson tem a missão de entoar Memory, a canção mais famosa de Cats, na adaptação cinematográfica. Ela falou ao jornal O Estado de S. Paulo sobre o filme e a importância dessa música em sua vida.

Você conhecia bem a música?

Sim. Cats sempre foi representada por essa música para mim. E minha conexão com tudo é sempre pela música.

A canção é o momento de maior emoção do filme. Como se colocou naquele estado emocional?

Acho que, em algum momento da vida, todos nos sentimos rejeitados como minha personagem, Grizabella, ou achamos não ser capazes. Mas a música em si me emociona. Tivemos de filmar mais de 30 vezes porque, nas primeiras 13 ou 14, eu não conseguia me conter, abria o berreiro no meio. E me lembrava muito da minha mãe dizendo: “Você está sempre chorando, apenas cante a música!”. Então, precisei de um tempo para encontrar o equilíbrio da emoção e poder contar a história de Grizabella.

Memory foi cantada por tantas pessoas diferentes. Como encontrar a sua versão?

Essa era minha principal questão. Também porque a música é tão perfeita que não precisa de nada. É um clássico, não dá para tirar do contexto, nem adicionar um riff aqui ou estender uma nota acolá. Então, achei que a única forma era me permitir sentir o que quer que eu sentisse, e essa seria a minha versão. Ser honesta comigo mesma.

Acha que gosta de trabalhar sob pressão? Porque, depois de cantar Memory, você vai encarnar Aretha Franklin, em Respect.

Eu sempre me pergunto isso. Por que estou fazendo isso comigo? Mas minha mãe sempre me dizia que eu trabalho bem sob pressão. E eu gosto muito de um desafio.

Mas sempre foi assim? Deixava para fazer suas tarefas de escola na última hora?

Sempre fui aplicada. Mas acho que a vida sempre prepara você para o que vem a seguir. Me lembro que, estava no curso avançado de canto na escola, tinha uma competição, minha avó morreu e a irmã dela também, tudo na mesma semana em que estava me preparando. Vendo como foi minha vida depois, e as coisas com que tive de lidar, enquanto fazia o que faço, me pareceu uma preparação (em 2008, dois anos depois de Hudson ganhar o Oscar, sua mãe, seu irmão e seu sobrinho de 7 anos foram assassinados pelo ex-marido da sua irmã). Mas minha mãe sempre dizia que o que não merece trabalho duro não vale a pena. E, ao pensar nesses desafios todos, cantar Memory, fazer Respect, eu também penso no que ela dizia: “Você só pode fazer o seu melhor”. Eu nunca vou ser Aretha Franklin, mas posso fazer o melhor que Jennifer Hudson pode fazer.

Conheceu Aretha Franklin? Como está se preparando?

Sim, eu a encontrei várias vezes. Meu método é muito simples: durmo com Aretha, acordo com Aretha. Na minha cabeça, estou nos anos 1960 agora.

Você é gateira?

Sim. Cresci tendo gatos e, quando entrei no projeto, disse ao diretor Tom Hooper que ia arrumar dois gatos e que ia nomeá-los Grizabella e Macavity. E tenho dois gatos, Grizabella e Macavity, além de três cachorros, Oscar, Grammy e Dreamgirl. Grizabella se parece comigo no filme. E quis que Macavity fosse um Sphynx porque ele parece do mal, e Macavity é o vilão, mas juro que é o gato mais doce do mundo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mariane Morisawa – Especial para a AE
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