Preço de material escolar deve subir 8%; compra coletiva é saída para economizar

De Redação Estadão | 8 de janeiro de 2020 | 12:00

O ano letivo ainda nem começou, mas o gasto com a educação dos filhos já causa dor de cabeça entre os pais. Na busca pelo caderno ou mochila mais em conta, as famílias recorrem a negociações coletivas, compra ou troca de itens usados e grupos nas redes sociais. A Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) estima alta de 8% nas papelarias – acima da inflação oficial, que deve ficar em cerca de 4%. Mas uma pesquisa bem feita pode trazer alívio ao bolso: na cidade de São Paulo, o valor dos produtos chega a variar 333%, segundo o Procon paulista.

A engenheira Thaís Aparecida Costa, de 37 anos, mãe da Sarah, de 3, está em um grupo de mães de alunos da escola da filha no WhatsApp. “Compartilhamos orçamentos para verificar onde é mais vantajoso comprar. Uma papelaria propôs que, se fecharmos a compra de mais de cinco mães, temos 13% de desconto na parte de papelaria e material de uso coletivo, como giz de cera, tinta e cola.”

A pesquisa do Procon de São Paulo analisou os preços de 126 produtos entre os dias 9 e 11 de dezembro em oito estabelecimentos de todas as regiões da capital. Para o estojo de giz com 12 cores, por exemplo, a variação de preço chegou a 266% – de R$ 1,50 a R$ 5,50. A maior variação foi na borracha látex branca – de R$ 0,60 a R$ 2,60. Em números absolutos, a maior variação foi na caneta hidrográfica Pilot 850L Júnior 12 cores. Em uma loja, estava por R$ 59,90 e em outra, por R$ 24,50. A maior variação, de 333%, é a da borracha.

Ao menos no grupo de Thaís, a compra coletiva deve funcionar. “Já há 11 mães interessadas”, diz ela, que calcula gasto de R$ 350, mesmo com o desconto. E a escola ficou responsável por negociar preços de livros didáticos com as editoras.

A administradora Ana Cláudia Rocha, de 39 anos, mãe de Daniel, de 9, opta pela antecedência. “Pesa muito no início do ano, mas não tem para onde correr. Costumo fazer pesquisa de preços para ver se a diferença é muito grande entre as lojas”, disse ela, que já foi às compras nesta terça-feira, 7, e vê nos livros de Inglês e Espanhol os principais vilões do orçamento.

Assim como Thaís, Ana participa de um grupo no WhatsApp. “Encontramos uma livraria que ofereceu ótimo desconto. Gastaria R$ 1 mil. Na livraria, conseguimos desconto de R$ 300. Com esse valor estou comprando o material restante.”

Apesar do susto com as cifras, pelos cálculos da Abfiae a alta de preços ficou menor. Entre 2018 e o ano passado, o aumento observado pela entidade foi de 10%. Já segundo o Procon, a diferença de 2019 para este ano ficou perto da inflação.

A compra coletiva é uma das recomendações do Procon, além de observar as opções de pagamento. A Abfiae orienta a pesquisa em vários estabelecimentos e de produtos seguros, certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Conforme a Lei 12.886, de 2013, válida em todo o País, os colégios não podem exigir a compra de qualquer item escolar de uso coletivo, como materiais de escritório, higiene ou limpeza. Também não podem cobrar a compra de produtos de marcas específicas.

Tentação

Nesta época, lidar com as vontades dos filhos – atraídos por cadernos e mochilas coloridos e de personagens infantis – é outro desafio para os pais. Nesse caso, o melhor é conversar com os pequenos e evitar compras desnecessárias.

“Gosto de cadernos de caveiras, carros e games”, disse Basile, de 10 anos, que acompanha a mãe Hélcia Chatzoglou nas compras de material escolar. “Sempre vim com ele e negociamos. Se ele vê algo caro, a gente negocia e vê o que dá para levar”, diz a artesã, de 49 anos.

No fim e no começo do ano letivo, colégios particulares fazem feiras de troca e doações de materiais escolares. No Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, zona oeste, a ação foi em dezembro e será retomada entre os dias 20 e 23. No Colégio Santa Maria, no Jardim Marajoara, zona sul, houve um brechó de uniformes em dezembro.

Pesquisa

A mais recente Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já apontava que as despesas das famílias com educação subiram. Entre os biênios 2007-2008 e 2017-2018, o peso dos gastos com material, matrícula e mensalidades no orçamento doméstico cresceu 56%.

“O primeiro passo é saber exatamente quais são os gastos mensais e quanto poderá dispor para a aquisição do material escolar. É fundamental ir às compras com antecedência para não precisar ser obrigado a pagar mais caro de última hora”, orienta Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Para a especialista em educação financeira e sócia da consultoria Ella’s Investimentos, Rebeca Nevares, é preciso diluir os gastos com material ao longo do ano, fazendo uma pequena reserva mensal. “O ideal é pesquisar em pelo menos três lojas de bairros diferentes. Dá trabalho, mas a economia pode chegar a 50%”, alerta.

Ainda de acordo com Rebeca, os gastos com educação entre as famílias brasileiras das classes A e C ficam entre 30% e 45% do orçamento familiar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Renata Okumura e Douglas Gavras
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