Republicanos, DEM e PSOL terão 21 dos 51 vereadores no Rio

De Redação Estadão | 16 de novembro de 2020 | 14:36

Se ainda havia algum resquício de força do MDB no Rio durante a última legislatura, ela acabou de vez com a eleição deste domingo, 15. Após eleger dez vereadores em 2016, o partido assolado por escândalos de corrupção no Estado fez agora apenas um representante na capital fluminense: Vitor Hugo, que foi o menos votado dentre os 51 eleitos. Principal herdeiro do espólio emedebista, o DEM terá sete parlamentares, assim como o PSOL e o Republicanos. Serão as três maiores bancadas da Casa.

Os mais votados da eleição deste ano foram Tarcísio Motta (PSOL), Carlos Bolsonaro (Republicanos), Gabriel Monteiro (PSD), Cesar Maia (DEM) e Chico Alencar (PSOL). Em quatro anos, o filho Zero Dois do presidente Jair Bolsonaro perdeu 36 mil votos e o posto de vereador mais votado da cidade.

Depois das maiores bancadas, há uma expressiva diferença para as que vêm na sequência. PT, PSD e Avante terão três representantes cada. Os petistas, contudo, ainda têm sob análise da Justiça a eleição do ex-senador Lindbergh Farias, que teve quase 25 mil votos. O destaque do partido, que perdeu espaço na capital nos anos 2000, foi a arquiteta e urbanista Tainá de Paula. Mulher e negra, ela ficou na nona colocação entre os candidatos mais votados.

No PSD, o ex-PM e youtuber bolsonarista Gabriel Monteiro foi o protagonista ao ficar na terceira colocação geral. Durante a campanha, o jornal O Dia revelou imagens do candidato andando pelas ruas da zona oeste da cidade cercado por homens armados. Apesar do bom desempenho dele, o partido apenas manteve o patamar da bancada de três vereadores que já tem no Palácio Pedro Ernesto.

Enquanto esses partidos chamam atenção por apresentar novos quadros à população carioca, o DEM conta com nomes antigos da política local. O exemplo mais claro é o ex-prefeito por três mandatos Cesar Maia, que se reelegeu vereador com boa votação. Há ainda ex-emedebistas, como é o caso do presidente da Casa, Jorge Felippe, que migrou para a legenda da família Maia no início deste ano.

Ex de Bolsonaro

Mãe de Carlos Bolsonaro e primeira ex-mulher do presidente, Rogéria Bolsonaro (Republicanos) fez pouco mais de 2 mil votos e não foi eleita, apesar de ter feito campanha com forte presença nas ruas – ao contrário do filho. Essa foi a segunda vez na história que Carlos “derrotou” a mãe. Aos 18 anos incompletos, ele concorreu contra a mãe, por determinação de Bolsonaro, em 2000. Neste ano, contudo, o clima oficial não era de competição, mas de união, apesar de o presidente não ter pedido votos nela durante suas lives semanais.

Vereadora eleita em 1992, quando ainda era casada com Bolsonaro, Rogéria se reelegeu quatro anos depois. Em 2000, contudo, já estava divorciada e continuou a usar nas urnas o sobrenome do então deputado federal – mesmo após Bolsonaro tentar impedi-la na Justiça. Como o hoje presidente não a via mais como uma genuína representante dele no Rio, comprou briga: deu a Carlos, que tinha 17 anos, a missão de superar a mãe. Ele conseguiu.

Caio Sartori
Estadao Conteudo
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