Republicanos temem críticas de Trump a voto pelo correio

De Redação Estadão | 26 de agosto de 2020 | 07:10

O presidente Donald Trump iniciou uma cruzada contra o voto por correspondência nos últimos meses, questionando a legitimidade da eleição. Muitos republicanos, porém, temem que o presidente possa desestimular seu próprio eleitorado a participar por acreditar que o sistema não é confiável.

Na segunda-feira, 24, Trump abriu a convenção republicana acusando os democratas de tentarem “roubar as eleições”, em um novo ataque ao voto a distância. Parte das críticas é fundada em informações falsas sobre o voto por correio e é repetida por outros republicanos.

O descolamento entre o discurso de apoiadores de Trump sobre o voto por correio e a estratégia do partido é entendida por analistas como um ato desesperado do presidente para deslegitimar o processo eleitoral diante do crescimento de Joe Biden.

A vitória do presidente parece ser possível apenas no colégio eleitoral, como em 2016. Com o aumento da pressão de Trump, cresceu também a especulação sobre se o presidente aceitará o resultado da eleição.

Além disso, entre especialistas, não é consenso que o voto por correspondência prejudique os democratas. O estatístico Nate Silver, do site Five Thirty Eight, afirma que é possível que uma maior quantidade de votos enviados por democratas pelo correio seja anulada, mas por outro lado o método também faz com que mais democratas votem. Além disso, negros e latinos, que tendem a votar nos democratas, não são tão adeptos do voto pelo correio.

A revista The Economist tentou quantificar o efeito do aumento do voto postal na eleição deste ano, considerando a frequência dos eleitores no uso do voto pelo correio e a taxa de rejeição das cédulas. O risco de que o voto seja descartado quando enviado pelo correio aumenta, pois os eleitores precisam preencher corretamente as cédulas e enviar respeitando prazos determinados.

Nas primárias em Nova York neste ano, o aumento do voto pelo correio fez com que muitas cédulas não chegassem a tempo e outras tivessem uma série de falhas técnicas. O levantamento concluiu que democratas seriam mais prejudicados. Biden poderia perder 0,6 ponto porcentual.

Em uma eleição realizada em meio à pandemia, o voto a distância será crucial. Em 2016, 24% votaram por correspondência. Neste ano, o número deve crescer para 39%, segundo o Pew Research Centre. Os dados variam entre republicanos e democratas. Enquanto mais da metade dos eleitores de Joe Biden preferem o voto pelo correio, o número cai para cerca de 10% entre os apoiadores de Trump.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Beatriz Bulla, correspondente
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