Roberto Carlos festeja 79 anos com uma surpreendente live

De Redação Estadão | 18 de abril de 2020 | 07:33

Sinal definitivo dos tempos, Roberto Carlos, encorajado pela operação das superlives sertanejas das últimas semanas, vai fazer a sua. A primeira live produzida de um artista clássico da MPB será neste domingo (19), às 19h45, no dia em que ele chega aos 79 anos de idade. O show terá as duas primeiras músicas exibidas pela Globo, casa com a qual Roberto tem contrato desde 1974, quando foi ao ar seu primeiro especial de fim de ano, e, depois, seguirá pelo seu canal oficial no YouTube (YouTube.com/RobertoCarlosOficial) e pelo Globoplay.

Será um raro momento em que Roberto terá um projeto de TV fora de sua tradicional temporada natalina. O show que está sendo pensado por ele e pelo maestro Eduardo Lages desde a última quarta (15) vai contar com cerca de dez músicas e caber, ao contrário das maratonas sertanejas com até cinco horas de duração, em 45 minutos. As músicas escolhidas, segundo pessoas de sua produção, podem trazer surpresas. Roberto cogitou escolher algumas que canta raramente em seus shows. Outra surpresa será vê-lo ao piano mais do que o comum para fazer o próprio acompanhamento. Mantendo uma distância segura dentro do estúdio, só estarão com ele Lages e seu tecladista Tutuca Borba.

Com o envolvimento da Globo no projeto, os cuidados para se evitar contaminações foram reforçados. Haverá poucas pessoas no estúdio, o mínimo para o programa ser feito, e o próprio cantor escreveu pedindo para que fãs não o procurem na porta de seu prédio. “Agradeço a compreensão, e reforço que isso é para o nosso bem.” O estúdio montado por ele fica em um endereço na Urca, no Rio, a 800 metros de seu prédio. Trata-se de um antigo convento que Roberto comprou e adaptou, erguendo o estúdio na área externa e mantendo sala, quarto, cozinha e outras dependências da construção antiga.

Roberto Carlos também não deve falar sobre arrecadações para ajudar o combate da pandemia, algo que se tornou uma bandeira nas grandes lives mundiais. A Globo talvez entre com a parte das arrecadações, mas o artista tem uma postura clara com relação a ajudar o próximo, como diz sua assessoria de imprensa. Ele destina grandes quantias por mês a pessoas físicas e coletivos assistenciais, mas pede para que jamais divulguem suas ações. Acredita que o bem deve ser feito anonimamente e sem interesses midiáticos.

O confinamento tem colocado cada vez mais artistas estabelecidos diante das câmeras de celular para shows virtuais, uma frente considerada há bem pouco tempo apenas recreativa e amadora. Uma roda então começa a girar em meio à estagnação mundial, com empresas começando a se especializar em lives, equipamentos específicos evoluindo (as gigantes dos celulares não devem estar dormindo neste momento), potenciais anunciantes se atrelando a nomes sobretudo de massa (cabe aos pequenos pensar em projetos como festivais, para atrai-los com mais facilidade) e até críticos, jornalistas ou não, se especializando em resenhar lives com retornos astronômicos de audiência. Ao mesmo tempo, vem o ônus. “E quem paga a conta?”, pergunta Paula Lavigne.

Ao pensar em uma live ainda sem data para ser realizada, com Caetano Veloso e outros artistas do Procure Saber, do qual Roberto já fez para defender as restrições na publicação de biografias e depois saiu, Paula sabe que tudo o que dá certo não pode trazer só lucros. “Como devem ficar os direitos autorais?” Por ser algo tão novo, ninguém ainda pensou que, um dia, pode ser cobrado pelo Ecad (o escritório de arrecadação e distribuição desses direitos) por veicular músicas de terceiros mesmo dentro de suas salas. Antes das lives, essa prática era protegida e poupada da lei por ser de natureza doméstica. Mas, no momento em que até Roberto Carlos, em quarentena há pelo menos 20 anos, abre sua natureza doméstica para o mundo, o leão dos direitos autorais afia as garras.

Roberto sai na frente de uma geração que não dá sinais de boa vontade com as lives até aqui. Caetano vai fazer, mas algo apenas colaborativo, com outros artistas. Gil, Chico, Gal, Milton… Ainda nenhum se manifestou. Simone, que não chegava perto de redes sociais há poucos dias, se empolgou e fará agora, ao que tudo indica, uma live por semana. Depois da primeira no domingo passado, ela anunciou nesta sexta (17) a próxima para as 18h de domingo (19), usando o conceito do playback. E olha ele de volta aí, mais uma vez, graças a quem? Às lives.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Julio Maria
Estadao Conteudo
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