Rússia tenta minar confiança no voto por correio nos EUA, diz relatório

De Redação Estadão | 5 de setembro de 2020 | 07:26

A Rússia trabalha para “minar a confiança da população no processo eleitoral” americano, espalhando falsas alegações de que as cédulas de correio têm fraudes e são suscetíveis a manipulação. As informações constam de um relatório de inteligência do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês), que foi divulgado nesta sexta-feira, 4.

O que chama a atenção no relatório do DHS é que muitas das alegações feitas por fontes russas são idênticas a declarações públicas repetidas pelo presidente Donald Trump e pelo secretário de Justiça, William Barr. Eles afirmam que as cédulas enviadas pelo correio não são confiáveis e alertam para o potencial de fraude nas eleições presidenciais que ocorrem em 3 de novembro.

Por enquanto, Trump segue atrás do democrata Joe Biden nas principais pesquisas nacionais. A vantagem de Biden é de 7,1 pontos porcentuais (49,3% a 42,2%), segundo a média de sondagens do site Real Clear Politics, e 7,4 pontos porcentuais (50,4% a 43%), de acordo com a projeção do site Five Thirty Eight. Analistas e adversários do presidente dizem que os ataques de Trump ao voto por correspondência seria uma forma de deslegitimar o processo eleitoral, em caso de uma derrota.

Em seu relatório, o DHS avaliou que os russos, provavelmente, “promoverão alegações de corrupção, falha do sistema e interferência estrangeira para semear a desconfiança nas instituições democráticas e nos resultados das eleições”. O boletim fornece um nível de detalhe sobre os esforços russos raramente divulgado publicamente por funcionários do governo sobre as eleições de 2020.

A campanha de desinformação da Rússia usa uma rede de mídia controlada pelo Estado, sites e trolls nas redes sociais – pessoas que alimentam polêmicas. O documento não identifica nenhuma dessas fontes pelo nome, mas funcionários do DHS disseram que a avaliação foi feita com base em informações confidenciais sobre os esforços do governo russo para interferir nas eleições de 2020 nos Estados Unidos.

Uma das oportunidades que os russos identificaram é explorar as preocupações de que o transporte do correio possa ser incapaz de lidar com a enorme quantidade de votos enviados, de acordo com o relatório.

“Esses sites também alegam que os processos de voto por correspondência sobrecarregariam o serviço postal dos EUA e as juntas eleitorais locais, atrasando a tabulação dos votos e criando mais oportunidades de fraude e erro.”

Revisão

Há quatro anos, as agências de inteligência dos EUA concluíram unanimemente que a interferência russa tinha como objetivo favorecer a eleição de Trump. Em 2016, poucos meses antes da eleição, hackers russos invadiram os servidores do Comitê Nacional Democrata e da candidata Hillary Clinton.

A ajuda da Rússia foi objeto de uma investigação exaustiva do Congresso e do procurador especial, Robert Mueller, que incomodou o presidente nos três primeiros anos de mandato.

O voto por correspondência é comum nos EUA. Em 2016, cerca de 33 milhões de cédulas foram enviadas pelo correio. Desta vez, para a eleição de 3 de novembro, são esperados um número sem precedentes de votos em razão da pandemia. Alguns Estados esperam um aumento de até dez vezes no volume normal de correspondência nos próximos meses.

Pelo menos 75% dos eleitores americanos teriam direito a votar pelo correio neste ano. Mas, de acordo com a agência Reuters, até metade do eleitorado deverá votar por correspondência. Segundo o New York Times, 44 milhões de pessoas em 9 Estados e na capital Washington receberão as cédulas em casa. Em apenas sete Estados, o voto será presencial – exceto se o eleitor apresentar uma justificativa para votar pelo correio.

Após a publicação do relatório, Chad Wolf, secretário interino do DHS, correu para tentar apagar o incêndio. Em entrevista à Fox News, ele disse que o texto estava sendo revisto. “O relatório foi muito mal escrito”, disse Wolf. “Quando conversei com funcionários do serviço de inteligência e análise, que produziu o relatório, eles também tinham dúvidas a respeito. Agora, eles estão trabalhando para reescrever esse relatório, colocando-o em um contexto melhor.”

Para os democratas, o relatório apenas confirma as suspeitas de que os russos estão novamente atuando para favorecer Trump. “A Rússia vem reverberando essas narrativas falsas sobre o voto pelo correio que Trump tem espalhado”, afirmou o deputado Adam Schiff, presidente da Comissão de Inteligência da Câmara.

Um porta-voz do escritório de inteligência do DHS, que não quis comentar diretamente o relatório, disse que as “atividades de influência estrangeira destinadas a manipular a população americana estão entre as ameaças mais desafiadoras que o país enfrenta”. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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