Santos se diz 'contra violência à mulher' e lamenta 'julgamento precipitado'

De Redação Estadão | 14 de outubro de 2020 | 21:19

Pouco tempo após ver seu primeiro patrocinador romper contrato por causa da contratação de Robinho, o Santos emitiu comunicado nesta quarta-feira em que informou que é “uma instituição inclusiva e socialmente responsável” e lamentou o que considerou um julgamento precoce do jogador.

A Orthopride rompeu acordo com o clube dizendo-se respeitosa às mulheres. Robinho foi condenado na Itália por estupro e sua chegada vem causando enorme polêmica. Parte dos torcedores não gostou nada da contratação e vem criticando o clube, sobretudo nas redes sociais.

O Santos resolveu divulgar uma nota de repúdio a quem faz crítica à diretoria pelo negócio, chamando a instituição de hipócrita por campanha recente contra a violência às mulheres.

“O Santos FC, em seus 108 anos de história, sempre se caracterizou por ser uma instituição inclusiva e socialmente responsável. Referência no combate ao racismo, contra qualquer tipo de violência, especialmente contra a mulher, referência no investimento no futebol feminino e engajamento em diversas causas. Estes são pilares e valores que formam a identidade do Clube brasileiro mais conhecido no Mundo e motivo de raro orgulho por todas as suas contribuições para o desporto nacional. A agremiação também reconhecida pela excelência na formação de atletas, relação próxima e respeitosa por todos aqueles que em campo ajudaram a construir nossa história”, informou o clube no início da nota.

Depois, o Santos saiu em defesa de Robinho. O clube diz acreditar na inocência do jogador e está com advogados trabalhando para mudar essa imagem ruim. “Com relação ao processo do atleta Robson de Souza, o clube não pode entrar no mérito da acusação, pois o processo corre em segredo de Justiça na Itália e sobretudo o Santos FC orgulha-se de, em sua história, sempre respeitar as garantias fundamentais do ser humano, dentre as quais, a presunção da inocência e o respeito ao devido processo legal”, enfatizou.

“Ressalta-se ainda que não há condenação definitiva e o atleta responde em liberdade e não será o Santos FC que lhe dará uma sentença antecipada, prejulgando e o impedindo de exercer sua profissão. Como Clube formador, onde o atleta viveu seus melhores momentos, em que teve diversas conquistas, não seria a nossa coletividade a lhe dar as costas e decretar juízo final de valor em um processo com recursos em andamento.”

Os dirigentes voltaram a garantir que são a favor do combate à violência e pedem que ninguém faça uma condenação sem provas. “Não há mudança no posicionamento do Clube em relação ao combate à violência contra a mulher ou outras campanhas que sempre participou neste sentido. São valores irrenunciáveis e que fazem parte da história do legado Alvinegro. Infelizmente vivemos na era dos cancelamentos, da cultura dos tribunais da internet e dos julgamentos tão precipitados quanto definitivos, porém há a certeza que o torcedor do Santos FC entenderá que compete exclusivamente a Justiça realizar o julgamento.”

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