Somente 6% das bonecas no mercado online são negras, diz pesquisa

De Redação Estadão | 15 de outubro de 2020 | 16:26

O número de bonecas negras disponíveis para compra no mercado online continua muito distante do número de crianças negras no Brasil. Enquanto 53,6% da população do País é negra (segundo IBGE), apenas 6% das bonecas disponíveis nos sites de fabricantes da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) representam essas pessoas.

Esse dado faz parte da terceira edição do levantamento sobre a disponibilidade de modelos de bonecas à venda: Cadê Nossa Boneca, da Avante Educação e Mobilização Social. Ao todo, foram identificados 1093 modelos de bonecas em 14 sites de fabricantes de brinquedos associados à Abrinq. De todas as empresas pesquisadas, apenas oito possuíam bonecas negras em seus inventários.

Nos estudos realizados em 2016 e 2018 os números foram semelhantes: 6,3 e 7%, respectivamente. Mostrando que, mesmo depois de quatro anos de pesquisa, a representatividade das bonecas não teve uma mudança significativa.

Especialistas do levantamento avaliam esse cenário como preocupante, uma vez que a autoidentificação, que acontece durante o processo de brincar, é fundamental para o desenvolvimento da autoestima das crianças.

“Ter bonecas pretas é necessário para uma educação mais justa, para alcançar as ideias de diversidade, de valorização do sujeito, de fortalecimento da autoestima, das inter-relações pessoais e sociais da criança”, afirma Ana Marcílio, psicóloga, consultora associada da Avante e idealizadora da campanha.

Ao lado de Ana, a psicóloga Mylene Alves também é idealizadora do Cadê a Nossa Boneca e explica que para os adultos se tornarem emocionalmente saudáveis, com autoestima e tolerância, é preciso olhar para o aprendizado e socialização das crianças.

“A criança apreende o mundo por meio do brincar. É essencial que ela tenha referências para que compreenda a si mesma e receba estímulos para que entenda que vive e convive com outros num ambiente de diversidade. Muito do que nos tornamos quando adultos está enraizado na nossa infância, de forma que para sermos emocionalmente saudáveis”, explica Mylene.

Bárbara Correa
Estadao Conteudo
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