'Star Wars', Episódio final

De Redação Estadão | 15 de dezembro de 2019 | 14:32

J.J. Abrams sabe da grande responsabilidade. Como diretor, ele veio a São Paulo no fim de semana passado para falar, na CCXP, de Star Wars Episódio IX – A Ascensão Skywalker, que estreia na quinta-feira, 19. Serão em torno de 2 mil salas, talvez mais. O mercado rende-se ao fenômeno. Fãs pelo mundo – e no Brasil, claro – já se preparam para uma das principais estreias do ano.

O fim da saga, a batalha das batalhas. Discípulo de Steven Spielberg, seu mentor, hoje amigo, JJ sorri, sentado diante do repórter do jornal O Estado de S. Paulo num hotel de luxo dos Jardins, mas admite estar ansioso. “É muita expectativa dos fãs. É um universo mítico, grande demais, e seria uma pena desperdiçar toda essa energia. Fizemos de tudo para corresponder.” E o que o público pode esperar? O repórter arrisca: intimismo e escala, grandiosidade? Afinal, são marcas registradas do autor de Lost (na TV) e de Missão Impossível 3 e Episódio VII no cinema. “Com certeza, você pode estar certo de que sim. Trabalhamos muito para isso.”

Lá atrás, quando fez Star Wars, o primeiro – lançado no Brasil como Guerra nas Estrelas, ainda no final dos anos 1970 -, George Lucas desenvolvia o que parecia um discurso insano. Dizia que era o primeiro filme de uma trilogia, e que essa trilogia seria intermediária num projeto de três trilogias e nove filmes. Alguns críticos o tomaram por maluco brincando de sabres de luz e guerras estelares. Poucos perceberam, de cara, a revolução que ele estava fazendo. O homem foi um visionário.

Para contar sua saga monumental, Lucas precisou desenvolver os efeitos num grau que parecia inimaginável em 1977. Fundou a Light and Magic, recolheu-se à função de produtor e contou, com ajuda de outros diretores, a construção do herói, Luke Skywalker, em O Império Contra-Ataca (direção de Irvin Kershnmer) e O Retorno de Jedi (de Richard Marquand). Depois, a saga hibernou, e se passaram 16 anos até que o próprio Lucas, de novo diretor, fizesse Episódio I – A Ameaça Fantasma, seguido de A Guerra dos Clones e A Vingança dos Sith, narrando a construção do vilão e de como Annakin Skywalker foi seduzido pelo lado sombrio da Força, convertendo-se no sinistro Darth Vader.

Cansado diante da possibilidade de encarar mais uma trilogia, Lucas vendeu os direitos, e a Disney assumiu o encargo de prosseguir com a história da galáxia ‘far, far away’. JJ, chamado para reformular a saga, iniciou a história de Rey, Finn e Poe, e agora fecha o ciclo. No anterior, Os Últimos Jedi, o velho Luke conseguiu segurar o ataque de Kylo Ren e seus Cavaleiros de Ren aos remanescentes da resistência. Teremos, desta vez, a mãe das batalhas, e ela será excitante, o fecho grandioso de Episódio IX.

Um corte no tempo, algumas semanas atrás. JJ está em Los Angeles e participa de uma coletiva sobre A Ascensão Skywalker. Quando ele começa a falar, as luzes apagam-se, por causa de uma falha técnica. Ele brinca: “Oi, Carrie”. Diz que é o espírito da intérprete da Princesa Leia, a atriz Carrie Fisher, que morreu em 2016. “Não havia possibilidade de continuar a história sem Leia.” A solução foi usar material inicialmente descartado da atriz no filme anterior.

Ainda em Los Angeles, o roteirista Chris Terrio disse que JJ estava tão obcecado em resolver o problema causado pela morte da atriz que o roteiro começou justamente por ela. “Os primeiros meses foram para resolver o impasse de como incluí-la no filme. A partir dos diálogos e das imagens que tínhamos, criamos todo o restante.” Antes de Terrio, Colin Trevorrow chegou a trabalhar um tempo nesse roteiro, mas foi dispensado – “Nem li o que ele escreveu, para dizer a verdade”, conta Terrio. Segundo ele, JJ o incentivou a buscar a emoção das cenas. Sementes plantadas por Rian Johnson no filme anterior foram abandonadas. “O fato de os personagens terem se afastado no final daquela história foi ótimo para a nossa”, reflete.

Uma sugestão de homossexualidade entre Poe e Finn, os personagens de Oscar Isaac e John Boyega, não foi adiante. “Mas fiz questão de que a comunidade LGBT se sentisse representada”, disse JJ, em São Paulo. Como? “Você terá de ver”, ele desconversa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Luiz Carlos Merten e Mariane Morisawa, especial para o Estado
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