Taxas caem com apetite ao risco no exterior e leilão de NTN-B

De Redação Estadão | 15 de dezembro de 2020 | 18:32

A terça-feira, 15, foi de queda consistente ao longo de toda a curva de juros. O apetite pelo risco no exterior ajudou ativos de economias emergentes em geral e, internamente, na ausência de notícias negativas vindas de Brasília, o último leilão de NTN-B 15/5/2023, da série de quatro anunciada pelo Tesouro no começo de outubro, foi o destaque para o segmento de prefixados. A oferta bem menor que a esperada também contribuiu para o alívio nos prêmios. A ata do Copom reforçou os principais pontos do comunicado da reunião de quarta-feira, de que o forward guidance deve ser suprimido em breve e, ainda que não imediatamente após a retirada, haverá aperto monetário em 2021.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou a sessão regular e a estendida em 2,945% (3,09% ontem no ajuste), abaixo de 3% pela primeira vez desde 25 de setembro (2,85%). A do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,370% para 4,275% (regular) e 4,270% (estendida) e a do DI para janeiro de 2025, de 5,934% para 5,83% (regular e estendida). A taxa do DI para janeiro de 2027 fechou em 6,67% e 6,68%, regular e estendida, de 6,793% ontem.

O recuo no começo do dia era tímido e só ganhou tração depois que o Tesouro publicou o edital do leilão, com oferta de 1,250 milhão de NTN-B, surpreendendo o mercado, que esperava um lote bem maior. “O mercado de pré hoje teve esse ‘q’ a mais. O leilão foi pequeno e agora em 2020 só tem mais o de quinta-feira, ou seja, é um grande tomador do mercado que vai sair de cena”, diz um gestor. Ele explica que, como o anterior foi de 8 milhões, o mercado montou posições para um leilão grande nesta terça-feira, mas teve de desmontar sua estratégia com o volume mais baixo do lote. O DV01 (risco do mercado) de quase R$ 7 milhões no leilão anterior hoje ficou em R$ 1,07 milhão.

Além do leilão, a ata do Copom foi outro destaque do dia, mas com efeito limitado sobre a curva, ao ficar em linha com o comunicado. “Não adicionou muito ao statement, mas deixou claro que o forward guidance vai sair em no máximo mais duas reuniões”, disse o gestor citado mais acima.

Na leitura da ata feita pelo Banco Fator, o forward guidance deve ser abandonado na medida em que as previsões de inflação para 2021 forem se elevando e que 2022 vá tendo mais peso no horizonte relevante da política. “Nas condições atuais, isto deve ocorrer na reunião de maio do Copom (mais provável) ou na de abril (menos provável). Mantidas as condições atuais, na reunião de junho (mais provável) ou na de agosto (menos provável), o Copom deve iniciar ciclo de alta da Selic”, afirma o economista-chefe José Francisco Lima Gonçalves.

Denise Abarca
Estadao Conteudo
Copyright © 2020 Estadão Conteúdo. Todos os direitos reservados.