Temor de atraso na retomada deixa Ibovespa instável; saneamento ajuda a limitar

De Redação Estadão | 25 de junho de 2020 | 11:19

Apesar da gama de notícias negativas externas e internas, o Ibovespa sobe nesta quinta-feira, 25, ignorando a instabilidade em Nova York, com predominância do sinal de baixa. As bolsas europeias também recuam, mesmo após o anúncio do Banco Central Europeu (BCE) de um novo estímulo para fornecer liquidez e de dados melhores na Alemanha.

Nos EUA, esta manhã, foram informados dados de encomendas de bens duráveis, que subiram 15,8%, acima da previsão de 9,8%, e a terceira leitura do PIB do primeiro trimestre. O índice cedeu 5%, ficando como o esperado, enquanto os pedidos de auxílio-desemprego caíram 60 mil, a 1,48 milhão, contrariando as projeções de 1,35 milhão. Às 11h05, o Ibovespa subia 0,47%, os 94.819,49 pontos.

No Brasil, a aprovação do novo marco legal do Saneamento Básico pelo Senado ontem à noite, por 65 votos a 13, traz alívio. O analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, vê com bons olhos a aprovação. “A medida é o primeiro passo para destravar investimentos neste que talvez seja um dos setores mais sensíveis de nossa infraestrutura”, afirma. Segundo ele, os investidores tendem a começar a projetar os ganhos de maior competitividade e dinamismo do setor. “Mostra que temos um Congresso reformista, e isso agrada”, completa um operador.

Temores com o avanço de casos do novo coronavírus nos EUA continuam incomodando investidores, diante da possibilidade de que isso retarde o crescimento econômico global. Essa percepção, destacada ontem nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), ainda ecoam negativamente nos mercados. Resumindo, diz em análise o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, o FMI prevê uma recessão global mais forte neste ano e uma retomada mais lenta no seguinte.

Também nesta quarta-feira, acrescenta, a informação de aumento dos estoques de petróleo nos EUA sugere que esse mercado está longe de ser regularizado. Hoje, em sua ata, o BCE avaliou como “altamente incertas” a velocidade e escala da recuperação econômica da zona do euro após o choque de covid-19.

Nesta quinta-feira, o Banco Central (BC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçaram o quadro fraco de atividade no Brasil. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, o BC reduziu a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de taxa zero para recuo de 6,4%, prevendo inflação abaixo do centro da meta em 2020. Conforme o BC, no cenário de mercado, a probabilidade de a inflação de 2020 ficar acima do teto da meta, de 5,50%, está em zero. Já o IBGE informou o IPCA-15 de junho, que ficou em 0,02%, acima da mediana de queda de 0,05% das estimativas. À tarde, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá a meta de 2023, cuja estimativa no mercado é de recuo de 3,5% para 3,25%.

Internamente, o setor elétrico fica no foco das atenções, sobretudo Eletrobras. Nova operação da Lava Jato apura fraudes na Eletronuclear. O Ministério Público Federal (MPF) e a PF cumprem 12 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão nesta manhã no Rio de Janeiro. Entre os alvos de prisão temporária estão o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que presidiu a Eletrobras entre 2004 e 2005.

Maria Regina Silva
Estadao Conteudo
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