Tributo divino

De Redação Estadão | 16 de julho de 2020 | 07:20

Intérprete fundamental da música brasileira, Elizeth Cardoso completaria 100 anos nesta quinta-feira, 16. Há duas décadas, no entanto, Zezé Motta celebra o legado da cantora com o show Divina Saudade, criado a partir do disco de mesmo nome. Em tempos de pandemia e distanciamento social, Zezé comemora a data por meio da internet, com uma live do projeto #EmCasaComSesc, com transmissão pelos perfis oficiais da instituição no Instagram e no YouTube, a partir das 19h.

Acompanhada pelo pianista Ricardo Mac Cord, Zezé vai fazer o show de casa, no Rio. Ela relembra clássicos que Elizeth eternizou, como A Noite do Meu Bem (Dolores Duran), Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Canção de Amor (Chocolate e Elano de Paula). O convite, afirma a cantora e atriz, partiu do próprio Sesc. “Ainda bem, porque tenho feito muitas lives a 0800 (de graça). Está difícil pra todo mundo”, ressalta, sobre a situação dos artistas no momento em que teatros, shows e mesmo gravações de novelas estão paralisados.

Encontros

Durante a adolescência, Zezé conheceu Elizeth, que frequentava o mesmo salão de beleza que a mãe dela. Já consagrada, a cantora chegava ao local de óculos escuros e era atendida em um espaço privado. “Ela era misteriosa e chiquérrima. Na entrada dela ficava aquele silêncio”, relembra Zezé. Na época, ela conta, ficou curiosa em saber quem era aquela senhora e perguntou para a dona do estabelecimento.

Dividindo-se entre teatro, cinema, música e televisão desde que estrelou o filme Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues, Zezé recorda que estava terminando de fazer uma novela quando precisou pensar em um novo projeto. Ao se deparar, na estante de casa, com a biografia de Elizeth escrita pelo jornalista e pesquisador Sérgio Cabral, decidiu homenagear a cantora, com quem dividiu o palco em um show com a participação de diversos artistas, criado pelo produtor Hermínio Bello de Carvalho para homenagear o compositor Herivelto Martins.

Durante o ensaio, Zezé sentou-se ao lado de Elizeth e contou a ela do tempo em que a admirava de longe no salão de beleza. “Foi pouco tempo antes de ela morrer. Nunca imaginei que um dia faríamos um show juntas. Foi uma conversa de meia hora e já saímos amigas de infância”, diz Zezé, lembrando que Elizeth ganhou o epíteto de Divina do amigo e pesquisador Haroldo Costa. “Ela ficava constrangida com isso por ser muito simples, mas teve que carregar esse título porque merecia mesmo.”

Álbum

Zezé está no elenco do disco Uma Homenagem à Divina Elizeth Cardoso – 100 anos Ao Vivo, que a gravadora Biscoito Fino coloca nas plataformas digitais no próximo dia 31. Alaíde Costa, Ayrton Montarroyos, Claudette Soares, Eliana Pittman e Leci Brandão também participam do álbum gravado ao vivo em março deste ano, em única apresentação no Sesc Pinheiros.

Com 17 faixas, o trabalho traz releituras de grandes sucessos de Elizeth, incluindo Na Cadência do Samba (interpretada por Zezé) Eu Bebo Sim (Eliana), Sei Lá, Mangueira (Leci), Meiga Presença (Claudette) e Doce de Coco (dueto entre Alaíde e Ayrton). Todo o elenco se junta no fim do álbum, cantando Barracão. A produção é de Thiago Marques Luiz e a direção musical e arranjos ficaram a cargo do violonista Paulo Serau.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Renato Vieira
Estadao Conteudo
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