Trump e Biden trocam acusações sobre incêndios que mataram 35 nos EUA

De Redação Estadão | 15 de setembro de 2020 | 07:00

Os incêndios florestais que mataram 35 pessoas na Costa Oeste dos EUA foram explorados nesta segunda-feira, 14, pelos dois candidatos presidenciais. Donald Trump esteve na Califórnia e culpou os governos estaduais pelo desastre. Já o democrata Joe Biden responsabilizou o aquecimento global, criticou o governo por ter derrubado regulações ambientais e chamou o presidente de “incendiário do clima”.

Pelo menos 100 incêndios – alguns fora de controle – já queimaram mais de 18,6 mil quilômetros quadrados de mata e destruíram 6 mil prédios e casas em três Estados: Califórnia, Oregon e Washington – todos governados por democratas. Trump vinha mantendo distância do assunto, já que sua candidatura à reeleição não tem chance de vencer em nenhum deles.

Durante os quatro anos de mandato, Trump foi constantemente criticado por ambientalistas por ter retirado os EUA dos acordos de Paris, derrubado leis e regulamentações ambientais e por dizer que o aquecimento global é um “mito”, segundo ele, “criado pelos chineses para tornar a indústria americana menos competitiva”.

Ontem, ao lado do governador da Califórnia, Gavin Newsom, o presidente se recusou a responder perguntas sobre o aquecimento global, sugerindo que elas deveriam ser feitas a Newsom. Ele voltou a acusar os governos estaduais de negligenciarem a manutenção das florestas – um argumento que ele já havia usado antes.

“As árvores caem e, depois de um tempo, ficam muito secas, como um palito de fósforo”, disse Trump. “As folhas também. Quando há muitas folhas secas no chão, elas viram combustível para o fogo.” Quando jornalistas insistiram na questão do aquecimento global, o presidente disse que “nem os cientistas têm certeza”. “Vai começar a esfriar. Você vai ver.”

Newsom parecia prever que Trump usaria o argumento e respondeu, dizendo que apenas 3% das terras da Califórnia pertenciam ao Estado, enquanto 57% são florestas federais, sob jurisdição da Casa Branca. “Acreditamos na ciência e observamos evidências claras de que as mudanças climáticas são reais e estão exacerbando tudo isso”, disse o governador democrata, adotando uma linha mais afinada com o discurso do partido.

Ambientalistas e cientistas acreditam que os incêndios na Costa Oeste sejam um fenômeno agravado pela ação humana. “Tirar as folhas do chão da floresta é uma coisa inútil. Não faz sentido nenhum”, disse Ralph Propper, presidente do Conselho Ambiental de Sacramento. “Estamos presenciando o que já era previsto, que o clima está ficando cada vez mais extremado.”

‘Incendiário’

Do outro lado do país, na Costa Leste, Biden aproveitou o tema e tomou a direção oposta, relacionando as mudanças climáticas não apenas aos incêndios, mas também aos furacões que castigam a costa do Golfo do México. Em discurso feito em Wilmington, cidade onde mora, no Estado de Delaware, ele criticou o negacionismo do presidente.

“A negação das mudanças climáticas de Trump pode não ter causado esses incêndios, inundações e furacões recordes, mas se ele conseguir um segundo mandato, esses eventos infernais continuarão a se tornar mais comuns, mais devastadores e mais mortais”, disse o democrata. “Se um incendiário do clima ganhar mais quatro anos na Casa Branca, como alguém pode se surpreender com a América queimando ainda mais? Precisamos de um presidente que respeite a ciência, que entenda que os prejuízos das mudanças climáticas.” (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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