Trump tenta cartada final para anular sua derrota

De Redação Estadão | 6 de janeiro de 2021 | 07:40
U.S. President Donald Trump reacts to a question during a news conference in the Briefing Room of the White House on September 27, 2020 in Washington, DC. Trump is preparing for the first presidential debate with former Vice President and Democratic Nominee Joe Biden on September 29th in Cleveland, Ohio. (Joshua Roberts/Getty Images)

O Congresso americano se reúne hoje para confirmar a certificação da votação do colégio eleitoral, que deu a vitória a Joe Biden na eleição de novembro. Deveria ser um procedimento protocolar, mas que ganhou outro peso. Nos últimos dias, Donald Trump aumentou a pressão sobre aliados do Partido Republicano para subverter a ordem democrática e barrar a vitória de um adversário. No esforço, seu vice, Mike Pence, como presidente do Senado, virou o principal alvo.

Em seu comício na Geórgia na noite de segunda-feira, 4, talvez o último antes de deixar a Casa Branca, Trump repisou um argumento defendido por ele desde que foi derrotado em 3 novembro: “Nós nunca perdemos a Geórgia. Não tem como”. Sua viagem ao Estado tinha como objetivo dar apoio aos candidatos republicanos que disputavam o segundo turno ao Senado, mas Trump resolveu pressionar ainda mais o seu partido já dividido a não certificar a vitória de Biden.

Na Geórgia, Trump sugeriu que Pence poderia não reconhecer a vitória de Biden na sessão conjunta do Congresso. “O vice-presidente tem o poder para rejeitar eleitores escolhidos de modo fraudulento”, escreveu Trump no Twitter. Um pouco antes, ele havia postado que os dois candidatos que disputavam o segundo turno na Geórgia, Kelly Loeffler e David Perdue, decidiram se juntar ao grupo de congressistas que pretende obstruir a certificação.

Segundo o jornal Washington Post, Trump sabota seu partido antes de deixar a Casa Branca. Na avaliação do jornal, assim como fez em seus quatro anos de governo, o republicano provocou uma divisão profunda na legenda. As lutas internas criam um cenário que o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, queria evitar quando alertou aos membros para que não se opusessem à certificação.

Os senadores Josh Hawley e Ted Cruz se posicionam como os principais porta-vozes para contestar a vitória de Biden. Já Tom Cotton e Ben Sasse se colocaram contra o presidente. Outros republicanos de destaque, como os senadores Marco Rubio e Tim Scott, além do próprio vice, tentam se manter em uma posição segura e falam pouco. “Tem pessoas que querem se candidatar à presidência, então sua prioridade não é necessariamente a mesma que a de McConnell”, disse o estrategista republicano Doug Heye, ex-diretor de comunicações do Comitê Nacional Republicano, ao site The Hill.

De acordo com a imprensa americana, é quase certo que o esforço de Trump fracassará, com a Câmara e o Senado rejeitando a tentativa de anular a eleição. A investida, porém, força um debate público que permitirá projeções de nomes com pretensões eleitorais para 2024.

A jogada, de acordo com o New York Times, garantirá um confuso confronto ao final da era Trump com líderes republicanos temendo uma divisão do ainda maior no partido, que pode comprometer até o seu futuro. Em editorial, o jornal Wall Street Journal acusou Hawley e Cruz de atuarem de acordo com seus cálculos eleitorais, e presidenciais, à custa do país.

“Dar crédito à falsa alegação de Trump de que a eleição foi roubada é um ataque altamente destrutivo ao nosso governo constitucional”, disse o republicano John C. Danforth, que ajudou a projetar a carreira política de Hawley, em um comunicado. “Isso é o oposto de ser conservador. É ser radical.” Ontem, mais um juiz federal rejeitou um pedido do presidente para anular votos na Geórgia. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Redação, O Estado de S.Paulo
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