Uma história de paixão sobre quatro rodas

De Redação Estadão | 3 de junho de 2019 | 04:50

Vestida para a ocasião, a pequena Isabela, de 8 anos, portava seu mais novo guarda-chuva cor-de-rosa (como, aliás, todo seu figurino) na chuvosa tarde de domingo, na Praça do Patriarca. Tinha ares de Penélope Charmosa, a célebre heroína do Wacky Races (ou Corrida Maluca, no Brasil), cartum produzido pela Hanna Barbera americana nos anos 1960. “Pai, não é este aquele carro que você me falou?”, insistia ela, frente a um reluzente Corvette branco 1.959, estacionado perto do prédio da Prefeitura.

“Sempre amei carros e quero transmitir esta paixão aos meus filhos”, contou o pediatra Leandro Alves, de 39 anos. Apesar da chuva (que espantou parte do público), ele estava satisfeito de levar Isabela e os caçulas Leandro e Jorge, de 4 e 6 anos, à 1ª edição da mostra Históricos de São Paulo – 1º Encontro de Carros Antigos do Centro Histórico. “Não sei dizer qual carro que gosto mais. Desde que produzidos a partir da década de 1950, gosto de todos”, disse o médico.

Com veículos expostos ao longo do Viaduto do Chá e em outras ruas, a região entre a Praça da Sé, o Teatro Municipal e o Largo São Bento mergulhou, nesse final de semana, em uma espécie de túnel do tempo.

De veículos como um Ford Pick Up 1929, que servia ao presidente Washington Luis em suas visitas a São Paulo, a modelos mais recentes e ainda vivos no imaginário, como Opalas, e Chevettes, boa parte da produção do século 20 parecia estar representada. Sem esquecer do mais icônico deles: o Fusca.

“Minhas primeiras memórias envolvem o Fusca. Nele ia à escola, viajava, sempre no ‘chiqueirinho’, claro”, conta o advogado Ricardo Longo, se referindo ao compartimento interno nos fundos do veículo, enquanto observava os cerca de 40 modelos, de diferentes décadas, apresentados pelo Fusca Clube do Brasil.

“Nem sempre o modelo absolutamente original é o que mais fascina. Temos aqui um modelo 1959, que foi bastante alterado, mas com visual alemão, vintage, que agrada muito”, disse Ervin Moretti, vice-presidente do Fusca Clube, um dos 156 clubes de automóveis antigos na mostra.

Como parte da programação feita pela Secretária Municipal de Turismo, ao longo do percurso, restaurantes e cafés ficaram abertos, e um simulador de carros foi instalado no Largo do Café. Pensada para crianças, a atração também atraiu adultos.

Proposta

“Trata-se de uma exposição que traz o público para ocupar o espaço, traz famílias ao centro, e permite a permanência por um período no local”, afirmou o secretário Municipal de Turismo, Orlando Faria.

“Queremos transformar o evento em uma data permanente no calendário oficial da cidade e, ao mesmo tempo, no maior encontro de carros clássicos do Brasil”, disse ele. Que assim seja. E, no ano que vem, as condições meteorológicas ajudem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.