Voluntárias brasileiras atuam em centros de vacinação em Londres

De Redação Estadão | 4 de fevereiro de 2021 | 13:28

Senso de comunidade. Esse foi um dos motivos que levou a brasileira Heloisa Righetto, de 40 anos, a se candidatar como voluntária no Sistema Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla em inglês), em plena pandemia do coronavírus. Segundo a instituição de caridade internacional dedicada a treinamento, aconselhamento e voluntariado St. John Ambulance, Heloisa está entre as mais de 30 mil pessoas em todo o Reino Unido que já atenderam ao chamado para ajudar no combate à covid-19 em centros de vacinação.

Coordenadora de conteúdo e comunicação e moradora do Bairro de Greenwich, em Londres, Heloisa ficou sabendo do recrutamento por um post de moradores de seu prédio em um grupo no Facebook. “Me interessei porque trabalho no terceiro setor e sei da importância de voluntários”, explica. Ela verificou que havia um centro de vacinação de responsabilidade do Barts Health NHS Trust perto de sua casa, o ExCel London, nas Royal Docks, e se inscreveu.

O processo foi bastante simples, conta Heloisa. Após acessar a seção de voluntariado do NHS, ela preencheu formulários e enviou documentos para depois receber acesso a vídeos, materiais de leitura e testes avaliativos referentes ao conteúdo. Após a etapa online, a brasileira foi chamada para finalizar o treinamento presencial no ExCel London, no último sábado, 30. “Foi uma introdução ao local, como está funcionando e o que eu teria de fazer. Achei interessante e bem tranquilo.”

Heloisa gostou de conhecer o centro de vacinação no qual atuará na área de suporte e apoio. Seu trabalho inclui direcionar as pessoas que chegam ao local, checando as reservas de dia e horário, levá-las ao check-in e então para as salas de vacinação, além de oferecer qualquer orientação requisitada. “Por todo o circuito sempre vai haver uma pessoa lá para receber e acalmar, dar a certeza de que está tudo bem, trazer um ar de normalidade e tranquilidade”, diz.

Os voluntários recebem acesso a um aplicativo para agendar a disponibilidade em turnos de quatro horas. Por enquanto, Heloisa tem duas datas reservadas, a começar neste domingo, 7. “Me sinto contente de poder oferecer esse tempo. Sou bastante privilegiada – não tenho filhos, meu marido e eu mantivemos empregos e estamos saudáveis. Então era uma forma de eu poder ser mais ativa na minha comunidade, além de ser algo histórico e tão positivo.”

Amiga de Heloisa, a gerente do programa de voluntários do Parque Olímpico de Londres, Gabriela Pavan, de 40 anos, atua como voluntária desde o início da pandemia, em março de 2020. Cadastrada no NHS, a moradora do bairro de Isleworth, na capital inglesa, começou dando suporte aos mais vulneráveis fazendo compras de mercado por eles ou apenas ligando para saber se estavam bem. Agora se prepara para aplicar vacinas.

“Me candidatei direto para a função de vacinadora”, conta Gabriela. Fisioterapeuta por formação, ela passou pelo processo de inscrição e treinamento – com estudo sobre as vacinas, a covid-19 e os aspectos legais de sua atuação -, além de uma entrevista online e prática presencial de primeiros socorros.

No local, Gabriela também conheceu as três áreas do centro de vacinação: a de recepção, a de vacinação e a de recuperação, sendo que, nesta última, espera-se que os vacinados fiquem por 15 minutos para garantir que não haja reação alérgica. “Recebemos treinamento nas três áreas. Eles esperam que a gente seja flexível para participar de todas essas funções.”

A brasileira testou positivo para o coronavírus no fim do ano passado, aproximadamente na época do Natal. “Tive uns quatro dias de sintomas como fadiga e dor no corpo, nada respiratório, e depois melhorei. Agora sinto que tenho condições de ajudar. Estou bem feliz e ansiosa para começar”, celebra.

Tanto Gabriela quanto Heloisa têm vários amigos que trabalham no NHS e já foram vacinados no Reino Unido. “Sempre comemoro”, diz Heloisa, que revela ainda estar bastante preocupada com o cenário no país. “Está tudo fechado e a instrução é para ficar em casa, mas a atmosfera mudou um pouco desde o começo da pandemia. Não sei se as pessoas se acostumaram e se sentem mais seguras, apesar de não estarem, porque dessa segunda vez foi muito pior. É difícil ser otimista, mas a gente torce para que o pior já tenha passado”, diz.

Como a região em que mora está classificada como de alto risco e Londres permanece em lockdown, Gabriela também diz sentir o alívio em ver a vacina se aproximando. “Acho que a gente vai demorar para observar algum efeito de melhora. Vamos continuar com todo mundo em casa e cuidando uns dos outros. Mas a sensação é de esperança.”

Aproximadamente 9,2 milhões de pessoas já foram vacinadas no Reino Unido, sendo 931.204 mil apenas no último fim de semana, disse o secretário nacional de saúde, Matt Hancock, na segunda-feira, 1. “É um orgulho para mim saber que tantas pessoas estão fazendo tanto para ajudar para que essa campanha aconteça de maneira tão tranquila, quero agradecer a todos.”

Bruna Camargo, especial para o Estadão
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