Votação de Carlos será teste de popularidade de Bolsonaro

De Redação Estadão | 15 de novembro de 2020 | 16:00

O desempenho nas urnas do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), que tenta se eleger pela sexta vez como vereador no Rio de Janeiro, servirá como um termômetro da aprovação de Jair Bolsonaro em seu reduto eleitoral. Diariamente, em publicações e transmissões ao vivo nas redes sociais, o presidente pede votos para o filho, a quem atribui a estratégia de comunicação que lhe deu a vitória nacional em 2018.

A mãe dos seus três filhos mais velhos, Rogéria Bolsonaro (Republicanos), também disputa uma cadeira na Câmara da capital fluminense, mas não tem o empenho do presidente. Segundo o Estadão apurou, o presidente se recusou a gravar um vídeo para a ex-mulher, apesar dos pedidos do senador Flávio (Republicanos-RJ) e do deputado Eduardo (PSL-SP), os dois outros filhos do casal.

Com a dedicação total do pai, a expectativa no entorno do “Zero Dois” é que o parlamentar alcance aproximadamente 150 mil votos, um aumento de 40% em relação ao pleito anterior. Em 2016, em plena escalada da popularidade de Bolsonaro, que trabalhava para chegar ao Planalto, Carlos foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro e o terceiro do Brasil com 106.657 votos, seis vezes mais do que em 2012, quando conquistou 23.79 eleitores.

“Na última eleição, ele (Carlos) foi o mais votado. Teve cento e poucos mil votos – mais do que uma candidata do PCdoB a prefeita. Se Deus quiser, este ano ele será reeleito. E a gente pede humildemente o apoio do pessoal do Rio de Janeiro para votar no Carlos Bolsonaro”, disse o presidente nesta semana.
Em meio à expectativa de aliados de que consiga uma votação recorde, o próprio vereador se mostra cauteloso. “A eleição só se ganha quando se contam os votos”, afirmou.

Ex-mulher

Apesar de estar pedindo votos para vereadores de diversas cidades nas suas “lives”, que passaram a ser diárias, Bolsonaro, no Rio, só faz campanha para Carlos. Excluída, Rogéria usa fotos do ex-marido e de Flávio no material de propaganda. Nas redes sociais, costuma publicar imagens dos três filhos e tem como uma das bandeiras a defesa da família.

É essa a estratégia para Rogéria tentar voltar à Câmara do Rio após 20 anos. Eleita vereadora duas vezes, ela deixou a política após ser derrotada nas urnas em 2000. Na época, Bolsonaro estava brigado com Rogéria – já estava separado dela – e incentivou Carlos, então com 17 anos, a se candidatar. Ele foi eleito com 16.053 votos.

Agora, no mesmo partido de Carlos, Rogéria tentará se beneficiar de uma eventual votação recorde do filho. Para isso, precisará alcançar 10% do quociente eleitoral, conforme regra que passou a valer em 2018. Apesar da ausência de demonstrações de proximidade com a mãe nas redes sociais, pessoas próximas à família afirmam que a relação entre Carlos e Rogéria está bem. Procurada, a candidata não quis se manifestar.

Além de Rogéria, o amigo de longa data e ex-assessor Waldir Ferraz (Republicanos), que diz ter se candidatado com incentivo do presidente, também ficou de fora do “horário eleitoral gratuito” de Bolsonaro. Apesar disso, ele acha que pode ser eleito graças aos votos de Carlos. “Ele consegue puxar uns três ou quatro”, disse o ex-assessor.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Jussara Soares
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