Zootecnista morre após tentar conter chamas em Cáceres, no Mato Grosso

De Redação Estadão | 9 de setembro de 2020 | 19:51

Luciano da Silva Beijo, 36 anos, zootecnista de uma fazenda no Mato Grosso, morreu nesta quarta-feira, 9, após ser vítima de incêndio que tomava as terras da fazenda onde trabalhava, na cidade de Cáceres. Ele tentava apagar o fogo, mas tropeçou durante a ação e foi tomado pelo fogo.

Segundo informações da Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ), Luciano teve quase 100% do corpo queimado durante um incêndio em uma fazenda, às margens da BR-070, nas proximidades da Serra do Facão, em Cáceres, a 220 quilômetros de Cuiabá, na tarde de domingo, 6.

Ele e outros dois funcionários que trabalham na fazenda tentaram conter as chamas, mas foram surpreendidos por uma rajada de vento que propagou o fogo, fazendo com que as chamas chegassem do outro lado da estrada e se alastrassem no pasto da fazenda. “Todos correram, mas Luciano tropeçou, ficou preso e foi alcançado pelas chamas. Ele foi socorrido por outros funcionários e encaminhado ao pronto socorro do Hospital Regional de Cáceres em estado grave. Todavia, não resistiu e faleceu nessa madrugada”, afirmou a ABZ.

“A associação se solidariza com a família e amigos neste momento de tristeza pela perda desta grande profissional que realizou importantes contribuições em prol da agropecuária na região de Cáceres, em Mato Grosso”, declarou a ABZ. O profissional de zootecnia atua para que os animais vivam em boas condições, cuidando do peso, da saúde e da alimentação, além da reprodução e do melhoramento genético dos animais.

Na semana passada, o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Welington Fernando Peres Silva, morreu em Goiás, vítima de queimaduras sofridas durante uma operação realizada no Parque Nacional das Emas.

A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) informou, em nota de pesar, que Welington Silva, que era instrutor de combate a incêndios, combatia uma queimada que consumia a floresta do Parque Nacional das Emas, no dia 21 de agosto, quando uma mudança brusca nos ventos o deixou em meio ao incêndio. Ele chegou a ser levado às pressas para o Hugol, hospital em Goiânia especializado em queimaduras, mas seu estado de saúde era considerado gravíssimo.

“O colega lutou bravamente durante todos esses dez dias, porém na tarde de hoje não resistiu e faleceu”, informou a Ascema e a Associação dos Servidores da Carreira de Especialistas em Meio Ambiente (Asibama) em Goiás. “É com profunda tristeza que lamentamos a perda do colega Welington”, declararam as associações.

As regiões do Pantanal e Cerrado estão sofrendo queimadas recordes neste ano. Reportagem publicada nesta terça-feira, 8, pelo Estadão mostrou que o número de focos de incêndio registrado no Pantanal entre janeiro e agosto deste ano equivale a tudo o que queimou no bioma nos seis anos anteriores, de 2014 a 2019, conforme informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os dados revelam que, entre janeiro e agosto, foram registrados pelos satélites do Inpe um total de 10.153 focos de incêndio no Pantanal, bioma que soma 150 mil quilômetros quadrados, localizados nos Estados do Mato Grosso (35%) e Mato Grosso do Sul (65%). O número de focos supera os 10.048 pontos de queimadas contabilizados pelo Inpe entre 2014 e 2019.

André Borges
Estadao Conteudo
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